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Toda Nudez Será Castigada

Publicado em 18/08/2009

 

Mariana Bonfim, do blog MovieYou

Pôster de 'Toda Nudez Será Castigada'O dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues se especializou em dissecar a sexualidade da sociedade burguesa em suas famosas peças. E foi o carioca Arnaldo Jabor o responsável por transcrever para a linguagem cinematográfica uma de suas mais polêmicas obras, “Toda Nudez Será Castigada” (1973). O roteiro apresenta personagens que oscilam entre o beatismo religioso e a promiscuidade carnal, em uma trama com reviravoltas de resultados dramáticos.

O recém-viúvo Herculano (Paulo Porto) vive dolorosamente seus dias de luto, pressionado por suas três tias beatas e pela promessa feita a seu único filho de que não mais se casará. Seu irmão Patrício (Paulo César Peréio), preocupado que a tristeza de Herculano o faça perder sua vida de “bon vivant”, propõe para prostituta Geni (Darlene Glória) que o seduza. Mergulhados em uma paixão avalassadora, o casal central tenta dar vazão aos sentimentos, mas as pressões puritanas de todos à volta parecem sufocá-los cada vez mais, rumo a uma tragédia ainda maior.

Com uma visão crua e humana, Jabor conseguiu criar uma obra de apelo artístico e popular. Na época, foi aclamado pela crítica e pelo público, resultando em um grande sucesso de bilheteria. Mas o grande destaque é certamente a interpretação visceral de Darlene Glória, que lhe valeu o Urso de Prata de melhor atriz no festival de Berlim. No clímax do filme, a sua fala “Você não sabe de nada!” ecoa em nossas mentes, nos conduzindo pelo turbilhão de sentimentos superficiais e hipócritas em que nos vemos cercados.

Assista, a seguir, à primeira parte de um documentário, disponibilizado no Youtube, sobre o longa “Toda Nudez Será Castigada”:

 

[Os textos publicados nesta coluna são de responsabilidade de seu(s) autor(es) e não traduzem, necessariamente, a opinião do Portal Tela Brasil.]

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