Parecer do júri do I Concurso de Roteiro Tela Brasil
Publicado em 08/09/2009
1. SOBRE OS INSCRITOS E O PROCESSO DE SELEÇÃO
O júri, formado por três profissionais da área de cinema [acesse os currículos dos jurados], recebeu um total de 320 roteiros com seus respectivos projetos técnicos. Na primeira fase da seleção, roteiros e projetos foram lidos cuidadosamente pelos jurados, que os avaliaram de acordo com os critérios previamente explicitados no regulamento deste concurso: a) criatividade da proposta apresentada; b) coerência do roteiro e da proposta de direção em relação ao conceito de curta-metragem de ficção; c) viabilidade de realização da obra nos termos deste concurso.
a) A análise sobre a criatividade de cada proposta procurou avaliar a originalidade do tema e de sua abordagem. Foram levados em conta o assunto do qual trata o roteiro, a maneira escolhida para contar a história, a qualidade dos diálogos, a profundidade dos personagens, a força simbólica das imagens descritas e seu potencial para se tornar um filme. É importante ressaltar, neste item, que não é possível fazer esse tipo de análise através de uma visão puramente técnica ou pragmática. Há um lado subjetivo do júri ao avaliar os roteiros, que varia de jurado para jurado, de concurso para concurso.
b) A coerência do roteiro e da proposta de direção em relação ao conceito de curta-metragem de ficção foi um critério adotado pelo júri para avaliar se a história e a proposta de direção possibilitavam a boa realização de um filme de sete minutos. Alguns roteiros podem ser muito bons, mas podem exigir um tempo maior de filme para seu pleno desenvolvimento dramático e imagético. Mais uma vez, esse tipo de análise é feito sob pontos de vista técnicos e subjetivos.
c) A viabilidade de realização da obra nos termos deste concurso foi um critério adotado pelo júri para analisar a possibilidade de uma boa realização dos roteiros na Oficina Itinerante de Vídeo Tela Brasil. Segundo consta no regulamento do concurso, “os 03 (três) roteiros selecionados serão premiados com a gravação de seu curta-metragem, de acordo com os padrões técnicos das Oficinas Tela Brasil”. Alguns roteiros podem ser excelentes, mas podem exigir uma estrutura técnica e um tempo de realização maiores do que os oferecidos pelas Oficinas Tela Brasil. Roteiros que exigiam efeitos especiais complicados, grande quantidade de equipamentos de luz ou uma grande estrutura de produção, perderam pontos neste quesito.
Quanto aos critérios subjetivos de avaliação, é sempre difícil sistematizá-los – por isso são subjetivos. Eles estão relacionados ao gosto, à formação, às crenças e às referências de cada pessoa. Pode-se concordar ou discordar. Por isso, a seleção dos vencedores foi pautada por muitos debates e por muito diálogo entre os membros do júri.
Depois de uma leitura atenta de roteiros e projetos técnicos, cada jurado escolheu seus SEIS roteiros preferidos, que foram para a grande final. De posse dos DEZOITO finalistas, o júri se reuniu para uma leitura conjunta desses roteiros, discutindo e analisando com profundidade cada um dos projetos. Depois de um longo debate, os jurados chegaram a um consenso e escolheram os TRÊS projetos vencedores.
É importante ressaltar que em nenhum momento os jurados tiveram acesso aos nomes, idades, formação ou domicílio dos roteiristas concorrentes. Todo o processo de seleção foi realizado através de análises dos roteiros e dos projetos, sem beneficiar indivíduos ou regiões do país. DADOS PESSOAIS DOS CONCORRENTES SÓ FORAM REVELADOS APÓS O ANÚNCIO DA DECISÃO FINAL DOS JURADOS.
O nível dos roteiros inscritos neste concurso foi ótimo. Todas as decisões do júri foram difíceis, muito analisadas e debatidas.
Conforme informa o regulamento, os três roteiros serão filmados na Oficina Itinerantes de Vídeo Tela Brasil que ocorrerá na cidade de Itaquaquecetuba/SP. As Oficinas buscam atender jovens de periferias das grandes cidades brasileiras, oferecendo ferramentas de introdução às áreas técnicas da produção de vídeo, para que os alunos travem contato com profissionais de cinema e desenvolvam três curtas-metragens com equipamentos profissionais oferecidos pelo projeto.
2. SOBRE OS PROJETOS VENCEDORES
Os projetos A FOTO, DAS TRIPAS CORAÇÃO e OPERATOR foram analisados segundo os critérios citados acima. Cumpriram as expectativas do júri dos pontos de vista técnicos e subjetivos.
A partir de novembro de 2009, os três filmes curtas-metragens vencedores do Concurso serão disponibilizados no Portal Tela Brasil.
A FOTO é um roteiro que conta a história de Lula, um menino de rua que, ao ver o retrato de um modelo em um cartaz de publicidade, decide tirar uma foto de si mesmo. Seu objetivo é provar para o amigo, o também menino de rua Camarão, que pode ficar tão bonito quanto o modelo numa fotografia. Durante o filme, Lula vive uma série de situações complicadas e engraçadas, tentando conseguir uma câmera para bater seu retrato.
A situação dos habitantes de rua nas grandes cidades é frequentemente ignorada pela população de renda mais alta. Isso faz com que adultos e crianças de rua não tenham voz, não tenham oportunidades nem participem da vida social. Os habitantes da rua costumam ser figuras “invisíveis” na sociedade individualista e materialista na qual vivemos. A simbologia da fotografia, no caso desse roteiro, é bastante rica.
O roteiro de A FOTO trata desse tema sério de maneira leve, divertida e criativa, gerando uma profunda reflexão social. Seus personagens são carismáticos e cativantes. Seus diálogos são fluídos, bem desenvolvidos. A estrutura do roteiro funciona muito bem para um filme curto e sua proposta de direção está de acordo com o contexto da história. A produção é de simples realização, sem comprometer a profundidade da simbologia e da mensagem.
DAS TRIPAS CORAÇÃO é uma comédia de humor ácido, que conta a história da adolescente Lara. A jovem protagonista costumeiramente faz compras no açougue de seu bairro e acaba se apaixonando pelo açougueiro Gerson. Quando descobre que Gerson está flertando com outra cliente do açougue, Lara desenvolve um comportamento bizarro: começa a cozinhar estranhos pedaços de carne para sua família jantar. Detalhe: Gerson desaparece misteriosamente do açougue.
A adolescência é uma fase da vida na qual os sentimentos estão à flor da pele. Tudo acontece com uma intensidade impressionante. As paixões costumam ser aterradoras – e muitas vezes platônicas. Sair de um registro realista e representar as questões adolescentes num tom fantástico possibilita a realização de um filme diferente, forte simbolicamente.
O roteiro de DAS TRIPAS CORAÇÃO propõe um olhar criativo e surrealista sobre a intensidade e a confusão de sentimentos típicos da adolescência. Suas imagens oferecem uma simbologia (às vezes sutil, às vezes engraçada e exagerada) do despertar da paixão e da sexualidade nessa fase da vida. Seus personagens são caricatos e cômicos, dialogando perfeitamente com o universo surrealista em que se desenvolvem as ações. A proposta de direção traz referências interessantes de filmes fantásticos. O final é intrigante e surpreendente. A produção é simples.
OPERATOR é um típico filme de gênero. Um clássico Thriller. Numa cidade fictícia, várias mulheres desaparecem misteriosamente. Dorinha, uma bela jovem, conhece o estranho fotógrafo Rolando. Após um rápido relacionamento, ela se dá conta de que Rolando é o responsável pelo sumiço das mulheres. No entanto, quando toda história leva a crer que Rolando é um serial killer, a verdade é revelada: o fotógrafo aprisiona a imagem das mulheres em seus retratos.
Os filmes de gênero nunca ocuparam posição de destaque na produção cinematográfica brasileira. O gênero Thriller, por exemplo, é frequentemente relacionado à cinematografia norte-americana. A suposta falta de “tradição” nacional nesse tipo de cinema estreita nossas possibilidades de experimentar outras linguagens e limita a criação de muitos artistas. É importante abrir espaço para a produção de filmes de gênero no Brasil.
O roteiro de OPERATOR consegue ser bem sucedido numa missão muito difícil: criar suspense de qualidade num filme tão curto. Em sete minutos é possível compreender que várias mulheres desaparecem numa cidade, é possível conhecer o cotidiano do personagem Rolando, é possível ficar aflito ao acompanhar a relação do fotógrafo com Dorinha. E mais: é possível se surpreender com o final, através de uma sucessão de cenas curtas, mas desenvolvidas com muita criatividade. O roteiro utiliza pouquíssimos diálogos, contando a história através das imagens. O plano de direção faz interessantes referências a mestres do suspense e à estética do expressionismo alemão. A produção é simples.
3. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Infelizmente, não será possível para o júri enviar a todos os 320 concorrentes uma análise detalhada de seus projetos. Não é viável para o júri desenvolver avaliações escritas de quase TRÊS MIL páginas de textos (roteiros e projetos). Os jurados reiteram que, de modo geral, o nível dos roteiros que participaram do concurso foi ótimo.
Também não há um ranking para ser divulgado. Os três projetos vencedores não respeitam a nenhuma classificação específica. Não há um primeiro colocado, um segundo colocado ou um terceiro colocado. Os jurados chegaram a um consenso para selecionar os vencedores.
O Tela Brasil é um projeto que tem, como princípio, utilizar o audiovisual para educar e dar voz a jovens talentos que queiram passar suas mensagens através do cinema. A ideia desse concurso de roteiro é, sim, incentivar quem venceu a continuar estudando e trabalhando para mostrar sua arte. Mas não é só isso. O mais importante ao concorrer em qualquer concurso de roteiro, do Brasil e do mundo, é a iniciativa do artista de colocar sua ideia no papel, de sistematizá-la, de refletir sobre ela, de ter coragem de submetê-la à análise de um júri. O desenvolvimento da carreira de um artista de verdade não está vinculado a ganhar esse ou aquele concurso.
Grandes cineastas já perderam concursos antes de realizarem seus primeiros filmes. Muitos jovens roteiristas ganharam UM concurso, fizeram UM filme e nunca mais voltaram a filmar. O mais importante, nesse processo de aprendizado, é colocar as ideias no papel. Refletir sobre o projeto. Refazer o roteiro. Tentar outra vez, em um próximo concurso. Buscando informações e conhecimento, por conta própria. Fazendo cursos. Chamar alguns amigos, fazer um filme independente e postar no Youtube. Persistir. Trabalhar duro para transformar projetos em realidade.
O Portal Tela Brasil oferece informações, exercícios, referências, notícias sobre cursos e concursos para quem quer se aprofundar e seguir caminho no cinema.
A experiência de desenvolver um projeto para esse concurso foi um passo importante para todos os participantes. Outros concursos de roteiro estão vindo por aí. Preparem seus projetos e vamos em frente!
Obrigado pela participação e parabéns a todos,
Comissão julgadora.
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Mais:
Resultado :: I Concurso de Roteiro Tela Brasil
Regulamento do I Concurso de Roteiro de Curta-Metragem de Ficção Tela Brasil

























Victor Goldmann
08/09/2009
Operator parece ser uma bobagem formulaica. Aliás, todos os três roteiros parecem feitos na base de fórmula. Com nomes de personagens comuns em produções brasileiros, temas típicos. Difícil acreditar que tenham ganho. Provavelmente uma meia-dúzia de outros roteiros deveriam ter temas idênticos e personagens similares. Me parece que a decisão foi um tanto arbitrária. Sei lá. Longe de mim querer julgar, no entanto. Concurso é concurso. Nenhum deles soa justo para a maioria das pessoas. Especialmente por cercear demais a criatividade de quem participa (com regras e uma série de limitações). Francamente, sete minutos não dá para fazer quase nada. Não tem como desenvolver um personagem. Mas enfim, muita sorte para quem ganhou. Esperamos que novos concursos aconteçam. Mesmo com tantas limitações e regras não exatamente justas. Na verdade, acho que seria muito interessante um concurso com roteiros sem limite pré-determinado de tempo. Ou pelo menos com limite mais flexível. Eu mesmo não tenho nenhum roteiro escrito com menos de trinta minutos.
Rúbia
08/09/2009
Quero agradecer a Tela Brasil por ter nos passado essas informações e dizer que aguardo pelo próximo consurso.
E mais uma vez parabéns aos 3 vencedores.
Carmem Souza
08/09/2009
Que bom que um parecer sobre o resultado foi colocado no ar! Acho importantíssimo!
Sempre haverá gente questionando, se intrometendo no resultado, alegando, argumentando e etc etc etc. O regulamento foi claro, 7 páginas, 7 minutos, os critérios estavam lá, tinha que estar dentro das possibilidades da estrutura das oficinas itinerantes … participou quem quis; é fácil criticar depois né!
Parabéns ao site. Gosto muito!
Hilário Francisconi
08/09/2009
Parabéns aos três vencedores. Participei deste concurso e gostaria de participar dos próximos. A vida é um roteiro de Deus, e nesta aprendizagem vencemos todos.
Iara Tomás
08/09/2009
Gostei do argumento de “A Foto”… Muito inteligente. Ah, e sete minutos é tempo suficiente, sim, pra contar uma boa história. Se fosse impossível, o que seria do Festival do Minuto?
Rubens Ramon Romero
08/09/2009
Novamento um concurso me decepciona, há necessidade de se publicar os três Roteiros vencedores na forma origina lque foi enviado,.Será mais trasparente, licito e necessário, é so consultar a Legislação Fiscal.A opinião rebuscada, alquimiada do corpo de jurados não leva à nada, nem a interpretação se não há o roteiro aberto.
Gratos
Rubens
Gabriel Avólio
08/09/2009
Obrigado pelo parecer. Com excessao do curta A FOTO, que de fato tem uma proposta simples, criativa e interessante, os outros dois parecem grandes bobagens…. Açogueiro que vai para a panela??????? Serial Killer???? Sinceramente achava que o concurso fosse de um outro nível, e que se encaminhasse para um outro rumo… Decepção.
Danilo Henrique Castro
09/09/2009
Parabéns aos roteiros vencedores! Sucesso ao projeto Tela Brasil!
Gostei muito de participar, um ótimo aprendizado.
abraço
Dan
Leila Barbosa
09/09/2009
oi apenas mais um pedido, seria possível colocar o nome dos 18 finalistas?
Roberto Dias
09/09/2009
Esperava que os jurados fossem profissionais com mais experiência.
Marcelo
09/09/2009
Olá,
Seria interessante que a mesa do júri fosse composta por um número maior de membros, e que a presidência do júri ficasse a cargo de Luiz Bolognesi.
Abraços!
Roberto Dias
10/09/2009
Concordo com todas as suas palavras, Marcelo. Nesse formato, certamente os resultados seriam mais justos.
Débora Silva
10/09/2009
Parabéns aos 03 vencedores!!!! Não vejo a hora de ver os filmes. Pena q não foi dessa vez pra mim … Pelo menos sei perder ao invés de só criticar o concurso, afinal eu LEIO O EDITAL e só me inscrevo depois de aceitar os termos. tchauzinhooooooo
Marcelo
10/09/2009
Olá,
Querida Débora Silva, em primeiro lugar ninguém que participou perdeu. Todos ganharam. Segundo, todas as críticas que foram e serão publicadas, são críticas construtivas. Terceiro, se aqui existe este espaço é justamente para ouvir o feedback de quem participou. Quarto, em minha opinião, todos leram o edital e aceitaram os termos, pois mesmo que os pré-requisitos sejam limitados, eu, sempre participarei porque não é todo dia que se tem concurso de roteiro. Enfim, o site é tão democrático que permite que se façam comentários sem a prévia moderação.
Abraços.
Sandro
10/09/2009
Marcelo, tb acredito que ninguém perdeu, mas nem todos ganharam. E se não ganharam foi por arrogância. Veja o exemplo do Victor Goldmann. O cara fala mal dos três roteiros sem nem mesmo ter lido nenhum deles. Ele critica a decisão do juri como se conhecesse o trabalho dos três selecionados. O Victor acha que o juri, que leu e analisou cada um dos roteiros, cometeu infustiça. Mas será que é justo fazer comentários maldosos sobre os roteiros que ele nem chegou a ler?
Débora Silva
10/09/2009
Oi Marcelo, você não me entendeu, não foi nesse sentido que quis dizer; observando os comentários escritos nessa página e na outra (com o resultado) a gente vê que a maioria das críticas não são construtivas, mas sim mesquinhas e arrogantes. Abraços! É ótimo esse bate-papo.
Marcelo
10/09/2009
“Depois de uma leitura atenta de roteiros e projetos técnicos, cada jurado escolheu seus SEIS roteiros preferidos, que foram para a grande final. De posse dos DEZOITO finalistas, o júri se reuniu para uma leitura conjunta desses roteiros, discutindo e analisando com profundidade cada um dos projetos. Depois de um longo debate, os jurados chegaram a um consenso e escolheram os TRÊS projetos vencedores”.
Acima, fragmento do texto do parecer do júri, parágrafo seis.
Fica claro que os 320 roteiros não foram todos lidos por cada um dos membros do júri, mas sim por partes divididas em três, o que daria por volta de aproximadamente 106 roteiros divididos por cada membro. E é por isso que deveria haver um número maior de membros para fazer parte do corpo dos jurados e, principalmente, um presidente.
Ex: membro A gostou do roteiro X, membro B não gostou do roteiro X, membro C não gostou do roteiro X. Resumindo: Tese (idéia inicial), antítese (idéia contrária), síntese (união das idéias). Pois isso só aconteceu depois das escolhas dos 16 roteiros. Por que eu cheguei a essa conclusão. Porque cada jurado escolheram os seus 6 roteiros preferidos. Então, o número exato de roteiro não poderia ser tão exato assim. Quer dizer, 18 roteiros, mas sim dez, onze, doze, quatorze… Pois membro A gostou, por exemplo, do roteiro “A foto”, membro B também, membro C também, aí chegaria à conclusão de que os roteiros não seriam dezoito, mas sim dezesseis. Deixo claro, que assim entendi o parágrafo seis. Se alguém entendeu de uma outra forma que apresente a sua antítese e sua síntese, pois assim seria mais democrático.
Carmem Souza
10/09/2009
É assim mesmo gente, essas reações já são esperadas depois de concursos em geral. Mas participar foi ótimo. E ter a oportunidade de escrever nossa opinião aqui nesse espaço tb é muito válido. bjos
Marcelo
10/09/2009
Errei, foram dezoito e não dezesseis roteiros como coloquei acima.
Roberto Dias
10/09/2009
É muito bom saber que há pessoas que saibam participar de um debate como o Marcelo. Parabéns pela sua conduta. Afinal, se vivemos numa democracia, temos o direito de expressar a nossa opinião. Concordo que algumas críticas “… não são construtivas, mas sim mesquinhas e arrogantes”, disso não se há dúvidas, mas continuo sendo um firme defensor da idéia de que a forma de avaliação na próxima edição do concurso tem de ser repensada, com o aumento da quantidade de jurados e com profissionais com mais experiência. Não precisam ser todos mas pelos a metade do corpo.
Sandro
10/09/2009
“Fica claro que os 320 roteiros não foram todos lidos por cada um dos membros do júri”
Marcelo, não quis colocar em questão se todos os roteiros foram lidos por todos os jurados ou não. Só falei dos comentários de Victor Goldmann.
Tb concordo que deveriam ter mais jurados e que o concurso poderia melhorar. Aí só esperando as próximas edições pra saber.
Jean
12/09/2009
Dos três roteiiros vencedores fica difícil escolher o argumento mais IDIOTA. Tenho certeza que havia melhores.
Aron
12/09/2009
Sandro, preste atenção nas palavras de Victor Goldman e aprenda. Dá pra perceber que o esquema dos roteiros ganhadores parece uma fórmula de bolo. Beiram ao folhetim. Lembre-se das sábias palavras da deusa Rita Lee quando afirma que amor é novela e sexo é cinema. São roteiros bobos demais.
Sergio
13/09/2009
Esses jurados precisam estudar mais os filmes de suspense e terror brasileiros. Uma boa dica, só para começar, é: vocês já ouviram falar em Joe Coffin? Será que ele é brasileiro? Vão aprender a fazer suspense com Zé do Caixão antes de tecer qualquer comentário do tipo “O Brasil não tem tradição nisso ou naquilo”. O Brasil é um país repleto de pessoas poderosíssimas criativamente que apenas, infelizmente, pensam pequeno, tanto que ainda diminuem o adjetivo, chamando-o de “pequenininho”. Será que aquela menina brasileira que ganhou o Project:Direct do Youtube pensou assim quando enviou seu modesto filme? Claro que não. Ela tentou e conseguiu. Quem construiu a imagem “ruim” de nosso cinema fomos nós mesmos.
Silas Camilo
13/09/2009
Estou anotando tudo isso que vocês estão dizendo para elaborar o projeto do meu próximo curta. Gente, obrigado pelo material. Continuem escrevendo. Por enquanto o título provisório é “MESQUINHO E ARROGANTE”. Vamos lá! Uh! Uh!
Sandro
14/09/2009
Eu já ouvi falar em “Coffin Joe” e nâo em “Joe Coffin”. Sergio, cita outros exemplos aí de nomes da nossa “grande” lista de cineastas de suspense e terror do cinema nacional. Eu tb quero saber onde esse povo tá se escondendo.
Aron, me passa aí o link dos 3 roteiros que eu tb tô curioso em ler e constatar o quão bobo eles são. Imagino que se vc tá dizendo que os roteiros são bobos é pq já os leu, né? Claro!
Sandro
14/09/2009
Amor é novela e sexo é cinema…. que é que isso tem a ver mesmo?
Silas Camilo
14/09/2009
Eu não ia voltar mais aqui, mas, caramba, esses três: Aron, Sergio, e Sandro, são três personagens prontos. Que comédia!!! KKKK
Sandro
14/09/2009
É Silas, eu também não ia continuar essa “discussão”, mas não quis perder a oportunidade de me divertir um pouquinho. Aron e Sergio são uma graça, não?
Marcelo
15/09/2009
Vocês estão indos para o lado pessoal, e isso não é um bom sinal. Tenho respeito por todos vocês. Li o roteiro “Operator” e achei um belo roteiro. E por isso é merecedor da conquista. Apesar de não ter lido os outros dois roteiros, acredito que também sejam merecedores.
Sandro, eu poderia dar a você vários nomes de cineastas de suspense. Segundo o dicionário Aurélio: 1. Angl. Momento de tensão forte no enredo de um filme, uma peça de teatro, um romance, etc.:
“A fim de criar o suspense dramático, Ésquilo inicia a tragédia [Os Persas] com o coro dos anciãos persas inquietos com a ausência de notícias do exército de Xerxes.” (Sábato Magaldi, Temas da História do Teatro, p.9.).
O que é suspense para vocês? Pois pra mim um roteiro não consegue ficar em pé sem suspense. O gênero suspense transita em todos os outros gêneros e vice-versa. Exemplo: em uma comédia existe suspense. “A vida é um suspense.” Os dias que faltara para sair o resultado do concurso foi um suspense. Estou errado?
Abraço, Sandro.
Abraços a todos.
Vamos continuar escrevendo para nos tornarmos melhores do que já somos!
Erick
15/09/2009
PERFIL DAS (OS) PERSONAGENS (por ordem de aparição):
1. Victor Goldmann – o crítico acima do bem e do mal.
2. Rúbia – a moça agradecida.
3. Carmen Souza – a que fala a verdade na cara.
4. Hilário Francisconi – o espiritualista.
5. Iara Tomás – a conformada.
6. Rubens Ramon Romero – o decepcionado.
7. Gabriel avólio – grato, mas decepcionado.
8. Danilo Henrique Castro – o iniciante.
9. Leila Barbosa – a que sempre quer mais um pouco.
10. Roberto Dias – exigente ao extremo.
11. Marcelo – intelectual?
12. Sandro – desconfiadíssimo.
13. Débora Silva – aceita tudo na maior.
14. Jean – arrogante.
15. Aron – puxa saco de Victor.
16. Sergio – pseudointelectual.
17. Silas Camilo – o roteirista.
12.
Erick
15/09/2009
18. Erick – assistente
Sandro
15/09/2009
18. Erick – síndrome de Rob Gordon. rs
Marcelo, sei que todo filme, num momento ou noutro, vai ter uma ceninha de suspense, mas isso não o torna um filme do gênero suspense. É como dizer que O Senhor dos Aneis é um filme de comédia por conta das cenas cômicas daquele anão que eu não lembro o nome. Nesse caso, discordo que o Brasil tenha muitos cineastas trabalhando esse gênero. Isso não quer dizer (nunca quis dizer isso) que os poucos que trabalham não sejam bons. Eu assistir a ótimos filmes de suspense nacionais. Mas dizer que o Brasil tem tradição no gênero é um exagero. O Sérgio se equivocou e entendeu mal o parecer do juri. Fica parecendo aqui que eu tô defendendo o juri, não é isso, só achei absurdos os comentários que li aqui.
Erick
15/09/2009
Que maravilha, Rob Gordon! O máximo!
Silas Camilo
15/09/2009
Obrigado pelo perfil, Erick.
Fico imaginando é se todas essas “cabeças” se unissem para juntas estudarem, criarem, desenvolverem mais em prol do cinema brasileiro, evitando comparações, tecendo metas, buscando novos caminhos, esse projeto deixaria de ser o TELA BRASIL e passaria a existir o TELA MUNDO, ou, quem sabe, o TELA UNIVERSO.
Sandro, concordo com você. Mas, preste atenção, os comentários são tão absurdos que os indivíduos nem se pronunciaram.
E por falar em cinema, VIVA ANSELMO DUARTE!
Erick
15/09/2009
Lá vai:
1. Wladimir Lundgren – Dúvida – 1954.
2. Josué Jr. – A marca do cirme – 1954.
3. Augusto Fragelli – 3X4 – 1991.
4. José Joffily – Sanpaku – o olho da ambição – 1991.
5. Walter Rogério – Olhos de Vampa – 1996.
6. Dennison Ramalho – Amor só de mãe – 2002.
7. Bruno Safadi – Na idade da imagem ou projeção nas cavernas – 2002.
8. Carlos G. Gananian – Behemoth – 2003.
9. Luiz Renato Brescia – Phobus, o ministro do diabo – 1965.
10. Antonio Calmon – Paranóia – 1976.
Ah, tem outros…
Marcelo
16/09/2009
11. Marcelo – intelectual? Claro que não. Erick, eu sou apenas um analfabeto-funcional, porém não sou otário. Sou um pretenso roteirista autodidata. Enviei o meu primeiro roteiro para o concurso. Acabo de terminar o meu segundo curta e estou elaborando uma nova sinopse para mais uma outra. E é bom deixar registrado que o modelo de sinopse que uso é o mesmo que aprendi neste site, pois é um modelo prático e dinâmico.
Sandro, não é uma ceninha, mas sim várias cenas de suspense. Outro dado interessante é o fato de você achar um filme do gênero de suspense e eu não. Pois tudo depende do ponto de vista de cada um. Exemplo: tem filmes que se classifica sendo um filme de comédia e, no entanto, eu não consigo dar risada (tragédia), porém quem estar ao meu lado morrerá de rir.
No Brasil não existe uma indústria cinematográfica. Existem apenas movimentos cinematográficos.
Abraços!
Silas Camilo
19/09/2009
MOVIMENTOS CINEMATOGRÁFICOS
Dá um bom título de documentário.
Erick
19/09/2009
Silas, virei seu fã!
E do Marcelo e do Sandro também.
Estou aprendendo com vocês.
Pedro
27/09/2009
Nossa! Sério que tinha uma receita pra ganhar o concurso? Puxa, se vc tivesse me falado isso antes…
PS: jurava que era a criatividade que ganhava!
Pedro
27/09/2009
Receita para ganhar o próximo concurso
Ingredientes:
950 palavras
5000 caracteres
100 parágrafos
250 linhas
Modo de fazer:
Colocar em 7 páginas bem margeadas, e sem capa.
Criatividade fica à gosto.
Pedro
27/09/2009
Um autodidata que só escreveu dois curtas? Muito bom o garoto!
Fiquei sabendo de um que tem três LONGAS e cinco curtas. E tem um livro escrito também. E ele nem é esnobe.
Pedro
27/09/2009
Aprender com os erros é bom, mas aprender com os errados é ruim.