Revista trimestral dedicada ao making of de produções audiovisuais. Publica entrevistas com cineastas e matérias sobre o trabalho dos profissionais que ficam atrás das câmeras. www.revistabeta.com.br
Homens de Cinema
:: Cássio Starling Carlos
Publicado em 14/10/2009
Por Tayla Tzirulnik
Revista BETA
“Quando eu crescer quero ser Charles Tesson.”
Mineiro, formado em Filosofia e atraído por cinema desde cedo, Cássio migrou para o jornalismo quando foi contratado pela Folha, em 1994. Na época, membro do corpo editorial do jornal, colaborava com textos sobre VHS e DVD até assinar sua primeira coluna, em 2005. Apesar de não existir (nem ser necessário) um estudo técnico para a carreira, Cássio sentiu falta de uma formação acadêmica, que hoje ele compensa com um mestrado em Ciência da Comunicação na ECA-USP.
Atualmente, o crítico escreve em média oito textos mensais para o mesmo veículo, que conta com mais quatro profissionais.
Sua primeira crítica, no entanto, foi publicada em um jornal em Minas, em maio de 1980. Apesar do acesso limitado ao ambiente cultural, que à época era pouco significante no estado, Cássio acompanhava os críticos locais e as revistas estrangeiras.
Também na década de 1980, destaca-se Inácio Araújo, que, segundo Cássio, representava outra maneira de olhar o cinema, desempenhando um modelo mais “francês” da crítica brasileira.
Sem qualquer experiência técnica em cinema, o crítico acredita ser importante identificar a linguagem e as dificuldades da arte, mas vê a crítica e a realização como atividades autônomas: “O crítico é um mediador mais próximo ao espectador do que ao cineasta”. Quanto ao papel da crítica, Cássio admite que ela é um guia de consumo, mas de um grupo de consumidores sofisticados. Para ele, a importância da crítica está na busca do espectador em compreender e se aproximar do filme, “as pessoas leem as resenhas para ampliar suas perspectivas”.
O espaço é algo que os profissionais desistiram de reclamar, assim como as restrições editoriais impostas: “Olho para o espaço que me dão e penso: O que posso falar com esse espaço?”. Quanto à liberdade de expressão, o blog é um espaço extra para o que não coube no jornal.
A proliferação do espaço e os novos críticos na internet são vistos com bons olhos por Cássio, que afirma não existir disputa com os críticos da internet, e sim interesse e troca.
Mesmo defendendo sua posição de “trabalhar para o público”, o crítico é a favor do protecionismo à cinematografia nacional e entende o “afago” como uma reserva de mercado, uma acolhida nacionalista presente em todos os outros países. “Ainda que o filme seja frágil, acho interessante a experiência de o público assistir a um filme cuja realidade é semelhante”, conclui Cássio.
A ação protecionista visa a amenizar a rejeição pelo público brasileiro de seu próprio cinema, o que para o crítico não se trata de um problema de temática, e sim de distribuição: “O filme dificilmente chega ao seu público-alvo”.
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(Esta matéria foi publicada, originalmente, na Revista PLANO B/BETA nº 03.)
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