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Revista trimestral dedicada ao making of de produções audiovisuais. Publica entrevistas com cineastas e matérias sobre o trabalho dos profissionais que ficam atrás das câmeras. www.revistabeta.com.br

Homens de Cinema
:: Inácio Araújo

Publicado em 14/10/2009

 

Por Tayla Tzirulnik
Revista BETA

“Não existe mais cinema nacional.”

“Eu comecei por acaso.” É assim que Inácio Araújo começa a explicação de como se tornou um crítico. Trabalhava como montador, assistente de direção e roterista quando o cinema entrou numa grande crise e recebeu um convite da Folha para escrever sobre filmes que passavam na TV. “Fui fazer crítica como quem conversava sobre os filmes. Acho que não existe nada obrigatório, não existe um conhecimento que seja excludente de outro. A única coisa que você não pode é ser ingênuo.”

Fruto de uma geração muito próxima ao cinema, frequentadora de cineclubes, Inácio sente falta da determinação da época: “Fazer Cinema Novo era compreender o que é o Brasil; na Vera Cruz, era imitar o que existia no exterior. Qual é a função do cinema hoje?”.

Para Inácio, o problema é a geração de profissionais: “Como dizia o Rosselini (Roberto, diretor de cinema, italiano), a técnica é uma fraude, você aprende em três dias. O complicado é ter a ideia. O grande atraso em nosso cinema é o fato de não se ter uma ideia, um conceito. Os realizadores não sabem o que querem: ‘caiu um dinheiro na minha mão, então vou fazer um filme!’”.

Inácio vê como mínima a influência da crítica na bilheteria de um filme: “Quando se lança um 007, o crítico pode chegar e dizer que aquilo é uma porcaria e isso não alterará nada, no tempo de ‘Ben-Hur’ já era assim. Agora, quando você tem um pequeno filme, que ninguém conhece, e um cara da Folha fala bem, e tem uma certa unanimidade por parte dos outros veículos, pode-se aumentar consideravelmente o público”. Para ele, o grande responsável pelo público é o marketing, “você tem profissionais que encontram maneiras de um filme ser falado”, explica Araújo.

Assim como seus colegas, Inácio acha “bacana” a crítica que surgiu na internet: “É interessante que haja gente falando, escrevendo, trocando, funciona um pouco como os antigos cineclubes. Vejo surgir uma boa geração de críticos”. Para ele, a crítica é uma atitude em relação às coisas, e não uma especialidade: “Eu escrevo pensando numa espécie de diálogo, tento levantar duas ou três ideias que sirvam para o início de uma discussão. É uma possibilidade de troca, de conversa, isso que anima a critica, dá vida”.

Embora concorde que, em geral, a crítica seja mais dócil com as produções brasileiras, Inácio vê certo exagero na afirmação. Se fosse realmente tão dócil, o público não acreditaria.

“Eu não penso se foi difícil ou não fazer. É difícil? É, mas tem solução, e a solução muitas vezes é a técnica. Tem que se instruir. Mas sempre tem essa história, de conhecer o cara, ser amigo, etc. É um pouco complicado quando você escreve para um jornal de maior circulação e penetração porque você não sabe quem está lendo. Por isso, sou amigo apenas dos caras que admiro, assim não tenho problema”, conclui.

 
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(Esta matéria foi publicada, originalmente, na Revista PLANO B/BETA nº 03.) 

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