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Homens de Cinema
:: Luiz Zanin
Publicado em 14/10/2009
Por Tayla Tzirulnik
Revista BETA
Cinéfilo desde criança e leitor assíduo de Orlando Fassoni (Folha de S.Paulo), Luiz Zanin tornou-se um crítico, quando cineclubista, por acaso. Trabalhava como psicanalista e cursava Pós-Graduação na USP quando, a pedido de um jornalista — marido de uma colega —, escreveu seu primeiro texto para um jornal. A crítica de estreia, publicada no Estadão, foi de um filme de Buñuel — “Via Láctea” ou “O Estranho Caminho de Santiago”, ele não tem certeza.
Segundo Zanin, a crítica cinematográfica, quando bem feita, é uma reflexão sobre o filme e sobre o cinema como um todo. Existe para o público que quer se informar (ou se formar), mas não é a grande responsável pelo fracasso ou êxito de um filme; para isso, existe o marketing: “O marketing é a linguagem do nosso tempo. O crítico tem de ir na contracorrente da onda publicitária. Nada o atrapalha se ele for independente e, se não o for, não é crítico”, explica Zanin.
Nos jornais e revistas existe um espaço determinado reservado ao crítico que deve ser respeitado, independentemente da vontade do profissional. Às vezes, há excesso de espaço e pouco a ser dito, em outras, acontece o inverso. Para Zanin, essa condição não chega a ser incômoda e, com o tempo, aprende-se a dar conta do recado. “Essa história de que a crítica está perdendo espaço é uma choradeira recorrente. Cinquenta anos atrás já se chorava a mesma coisa”.
Hoje, e cada vez mais, a internet cria novas possibilidades, gerando uma profusão de novos críticos blogueiros, o que, para Zanin, não é um problema. “A internet é legal. É um espaço em que cada um pode dar a sua opinião sobre o que for, do cinema à política externa, da economia ao culto das celebridades.”
Para o crítico, vale o que se escreve e não o suporte do texto. “Atualmente, a crítica desperdiça muita energia dirigindo-se a outros críticos em vez de procurar o leitor. Seria melhor se se concentrassem mais nos filmes. Os críticos mais velhos devem procurar novas formas de abordagem para um cinema em mutação. Os mais jovens devem queimar etapas e ultrapassar a adolescência. Devem seguir o conselho que Nelson Rodrigues dava aos jovens: ‘envelheçam’.”
Questionado se a crítica ao cinema nacional é mais “suave”, Zanin atenta que nem sempre foi assim: “Se pegar as críticas dos anos 80, vai ver como eram destrutivas. Foi um verdadeiro massacre, com o propósito ideológico de destruir a Embrafilme e celebrar o livre mercado. Com o fim da Era Collor, os críticos se assustaram e viram que o cinema brasileiro estava em vias de desaparecer e, junto com ele, os críticos corriam risco de sumir do mapa. Então resolveram passar a mão no cinema brasileiro. Mas isso foi temporário e acabou depois que a produção se firmou. Hoje há um certo equilíbrio.”
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(Esta matéria foi publicada, originalmente, na Revista PLANO B/BETA nº 03.)
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