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Terra Em Transe :: Abrem-se as cortinas
Publicado em 25/11/2009
Por Júlia Motta
Revista BETA
Aos 76 anos, às vésperas de estrear Moscou, seu 24º filme, Eduardo Coutinho revela que nunca esteve tão ansioso. A insegurança chegou a tal ponto que o cineasta pensou que este seria seu último filme. O apoio do amigo João Moreira Salles renovou seus ânimos.
Em Moscou, Coutinho mostra fragmentos de três semanas de ensaios do grupo de teatro mineiro Galpão, conduzido pelo diretor Enrique Diaz. A obra escolhida para ser encenada pela companhia foi “As Três Irmãs”, de Anton Tchekhov. “Meu problema era não atrapalhar o Kiki [Enrique Diaz] e que os atores estivessem o mais próximo da verdade. Foi difícil.”
Documentário ou ficção?
“Sente-se. Sente-se. Sente-se.” O convite feito pelas três irmãs de Tchekhov abre o filme de Coutinho. Olhando para a câmera, as atrizes dialogam com o espectador, provocando nele a mesma sensação de seu filme anterior, Jogo de Cena (2007): qual o limite entre a ficção e a realidade?
“Esse limite está cada vez mais entrelaçado. As pessoas se inventam diante da câmera. Quando contam que baixou um santo nelas ou que foram felizes com um alemão num prédio durante dez anos, até que ponto é verdade?”
A ideia de mesclar ator e personagem surgiu enquanto rodava O Fim e O Princípio (2005). “Quando as pessoas se inventam num filme, produzem um elemento de ficção. Então, vamos misturar! Não me interesso mais por tema algum. Quero trabalhar essa confusão entre realidade e ficção.”

A montagem foi o processo mais difícil
Durante as filmagens, sua preocupação era como não confundir o público já que, a quatro dias do fim das gravações, uma das protagonistas da peça virou a vilã. “Eram treze atores para dez personagens. O método do Kiki é misturar os papéis. Eu queria que tivesse a desconstrução, mas que também tivesse a construção.”
A montagem durou cinco meses. “Fui para ilha sem saber que filme era aquele. O João [Moreira Salles] estava com uma confiança maior que a minha. Eu pensava o tempo todo: o que o público vai achar desse filme?” Chegou a 4h40min de filme. “Não tinha filme. Pensei em desistir de tudo e não fazer mais cinema. Aí entrou o João, que me salvou.”
A primeira versão de Moscou ficou com 1h37min. “Em Jogo de Cena não havia dúvida; eu tinha certeza absoluta de que o público ia embarcar e que o filme passaria como filme. Mas em Moscou eu fui além. É o palco como mundo. A loucura do cinema é essa: as coisas podem ser verdades ou não.”

























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