Revista trimestral dedicada ao making of de produções audiovisuais. Publica entrevistas com cineastas e matérias sobre o trabalho dos profissionais que ficam atrás das câmeras. www.revistabeta.com.br
A opinião pública :: O som que não vemos
Publicado em 07/12/2009
Por Leandro Lima
Desde setembro de 2008 trabalho com edição e desenho de som através do Maloca Estúdio. O desenho de som começa antes da captação, com a elaboração de um caminho a ser seguido junto com o diretor.
Em breve iniciaremos a edição de som do filme A Falta que nos Move, dirigido por Christiane Jatahy. No decorrer das reuniões e dos estudos sobre o conceito de filmagem e de como captar o som, decidimos usar microfones sem fio, e tivemos que nos organizar para as trocas de baterias, para garantir que os cinco microfones funcionassem por todo o tempo e “sem falhas”.
No início da filmagem estava chovendo, condição que se estendeu por aproximadamente quatro horas. Com a chuva fazendo parte do som ambiente, o dia indo embora e a noite chegando, decidimos criar uma espacialidade para trazer o espectador à atmosfera do filme. Esse é o som da natureza, e a variação acontece sutilmente para que se pareça “real”.
A locação nos possibilitou fazer com que os diálogos fossem percebidos pelo espectador. Muitas vezes, tivemos a situação em que, durante uma cena na cozinha com dois personagens, ouvimos pelo surround “o som que não vemos”: um cachorro latindo no quintal ou outros personagens conversando e interagindo entre eles na sala.
No filme Brennand, o Convidado da Floresta, estamos estudando um conceito para transmitirmos a dimensão sonora do ateliê do artista para as telas de cinema. Estudamos o material bruto da montagem em paralelo à edição de imagem.
Há ótimas captações de ruídos emitidos por Brennand ao realizar suas obras, como, por exemplo, quando ele bate com sua bengala nas cerâmicas até achar o ponto certo. Tudo isso se apresenta como um ótimo caminho criativo.
O som que sempre gosto de destacar é o som que não vemos. Um bom exemplo disso é a captação de som do filme Tropa de Elite, no qual tivemos muitas dificuldades na sequência do baile funk. Tínhamos a música, seiscentos figurantes, tiros, granadas e muito som direto. Acreditamos que, em vez de atrapalhar, tais sons poderiam ser mais um atrativo para os elementos no surround. O que fizemos foi captar esses ruídos para a cena, além de conseguir manter o som direto.
Não fiz a edição de som do filme, mas foi um exemplo sobre a forma como trabalho. Aproveitando ao máximo o que aprendi realizando documentários e resolvendo as situações apresentadas antes que se tornem problemas. Para mim, o importante é acompanhar e contribuir durante todo o processo.

























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