Solidão Regada à Fumaça
Publicado em 14/12/2009
Por Mariana Bonfim
Do blog MovieYou
Comodismo, pessimismo e auto-flagelismo. Os 3 “ismos” pilares de uma humanidade que às vezes insiste em andar em círculos, com um passo em falso sobre o outro.
Este é o caso da personagem Baby, interpretada por Glória Pires no longa “É Proibido Fumar” (2009), de Anna Muylaert, ganhador de 8 Candangos (inclusive o de Melhor Filme) no último Festival de Brasília.
Baby é a figura da mulher cinquentona, que vive solitária na metrópole. Em um apartamento herdado da mãe e cheio de samambaias, ela sobrevive ensinando violão para as mais inusitadas figuras. Usa o cigarro como “bengala” e psicológo, sendo ele seu único “amigo”, capaz de compreendê-la e confortá-la. Nesse contexto, surge Max (Paulo Miklos, sempre excelente), que tenta tomar o lugar do cigarro na vida de Baby.
Os grandes trunfos de “É Proibido Fumar” são a fluidez do roteiro, a coesão narrativa e visual, a trilha sonora, docemente embalada por violões, e a fotografia, que torna qualquer ângulo agradável ao olhar.
Com conflitos universais, o filme fecha o ano da cinematografia nacional. Depois do sucesso estrondoso das comédias Se eu Fosse Você 2, A Mulher Invisível e Divã , a obra traz, ao final de 2009, uma irônica introspecção.

























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