Vitória de “Guerra ao Terror” é criticada por Luiz Bolognesi
Publicado em 09/03/2010
Muito mais do que limusines e modelitos milionários, a grande noite do cinema guarda uma forte influência simbólica em vários cantos do mundo. O que parece a simples preferência de uma elite frescurenta de críticos chiques revela também posições políticas.
Conservar um imaginário favorável em milhões de espectadores pode render forte apoio a um diretor – desde patrocínios estratégicos até mesmo um trampolim para a tão aclamada estatueta. Cutucando essa ferida, o roteirista Luiz Bolognesi escreve ao Estado nessa terça-feira suas críticas e denúncias sobre o vencedor – “Guerra ao Terror venceu o Oscar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados”.
Segundo Bolognesi, a batalha entre os na”vi de Avatar e os soldados no Iraque não se tratava apenas do embate esquerda x direita ou cena comercial x independente, mas sim do tratamento oposto de cada um à máquina de guerra.
Além de legitimar este pilar fundamental da economia dos EUA, “Guerra ao Terror” dá face humana aos jovens enviados aos conflitos e de certa forma consola suas mães em prol de um nobre ideal.
Pensando assim, era de se esperar que, mesmo com sua arrasadora bilheteria, as eco-criaturas azuis não superassem os caridosos militares americanos, já que a indústria main stream não assinaria embaixo a transformação de seu general em vilão.
Vale a pena conferir o artigo inteiro aqui.
























Diogo Ribeiro Novaes
09/03/2010
Afirmar q ‘Guerra ao Terror’ ganhou pq faz apologia à guerra e q ‘Avatar’ vai contra os interesses americanos é muita teoria conspiratória. Não que a Academia tenha sido sempre justa, mas independente da mensagem, o filme de Bigelow é muito mais melhor do que o fenômeno 3D de Cameron. Simples assim.
Vitor Stefano
09/03/2010
Sou obrigado a descordar. Talvez o Luiz não tenha vista o filme direito. Ele mostra exatamente que a Guerra não compensa, que o resultado final da guerra são jovens amputados fisicamente e de sua alma.
Premiar Avatar seria premiar um filme com visual de video game.
Ísis Alves
09/03/2010
Olá galera da TelaBr.
Me desculpe Diogo, mas as coisas não são simples assim não. Apesar de considerar que Avatar não passa de uma releitura de “Pocahontas”, ele traz uma mensagem simples e pura e que o mundo vem ignorando a muito e muito tempo: ESTAMOS MATANDO O NOSSO PLANETA. Não, eu não sou do Green Peace nem de nenhuma organização parecida. Mas o que falei é obvio e claro. Particularmente não acho que basta ser apenas um filme bem feito, a mensagem do filme também é importante e claro “a indústria main stream não assinaria em baixo a transformação de seu general em vilão.” – isso é um fato.
Além disso Cameron mostrou na ficção o que, concordem ou não, os EUA faz de melhor, invandir outros lugares para tomar o que quiser para si. Será que ninguém fez a correlaçao entre o exercito humano em Avatar querendo a todo custo o minério do planeta dos Na’vi e a invasão ao Iraque claramente em busca de petróleo? (Porque a invasão ao Iraque foi para pegar petróelo e não pq eles tivessem armas nucleares ou qualquer coisa do genero).
Desculpem o comentário enorme.
Marcelo
09/03/2010
Eu nem queria entrar nessa discussão… Mas vamos lá. Pós-oscar é sempre ou quase sempre assim, termina em discordância. Não deveria ganhar: Guerra ao Terror, Avatar… A qualidade dos filmes que concorriam à estatueta estava pífia, assim como no ano passado em que o melhor filme estrangeiro “Quem Quer ser um Milionário ganhou” (mais uma jogada política americana pra entrar no mercado indiano), porém tem gente que discorde e diga que o filme é bom porque prende. O filme pra ser bom tem que prender? Vou dar mais um exemplo: Sandra bullock ganhou como melhor atriz. Não vi o filme dela, porém não imagino grandes interpretações para ela ganhar um Oscar. Digo isso porque eu nunca a engoli como uma atriz ao longo de sua carreira. Resumindo, ela é fraca. Duvido que nas produções mundiais do ano anterior e deste ano, não tenha surgido grandes interpretações aponto de ganhar uma indicação ao Oscar e consecutivamente à tão sonhada estatueta.
Tem críticos que afirmam as suas teses de que o Brasil só vai ganhar um Oscar quando produzir um filme com a cara da Academia. Mas o que seria a cara dessa academia? A mediocridade. Se o Brasil quiser realmente ser reconhecido como uma nação que produz o que a de melhor na sétima arte, primeiramente, tem que pensar no que é melhor para o público brasileiro, pois não vai ser uma indicação ao Oscar ou um prêmio que vai melhorar a imagem do cinema brasileiro em seu próprio país. O cinema brasileiro está devendo e muito a sociedade brasileira não só com bons filmes, mas também com políticas públicas que viabilize a entrada da sociedade nas salas de cinemas. Justamente para que o público se veja e se reconheça parte do que está sendo exibido. O cinema brasileiro tem que ter a sua própria identidade.
Há muito tempo eu tenho um – pé-atrás com a entrega do Oscar. E o que mais me deixou triste foi o fato de Fernanda Montenegro não ter levado o Oscar de melhor atriz, aquilo foi a gota d’água. Se Central do Brasil estivesse concorrendo este ano, não tenho dúvida que a Grande atriz Fernanda Montenegro iria perder para tal de Sandra Bullock.
Enfim, pra mim o Oscar não cheira e nem fede.
Marcelo
09/03/2010
Errei: Quem quer ser Milionário não ganhou como melhor filme estrangeiro.
Titis
09/03/2010
Realmente é uma visão de conspiração levada ao extremo.
Fato 1. o roteiro de “Avatar” é fraco
Fato 2. apesar de ter um roteiro fraco, consegue mexer e tende a conscientizar sobre o que estamos fazendo com o nosso mundo, eu sai da sala de cinema querendo me tornar uma Na’vi
Fato 3. “Guerra ao terror” é mais um filme de guerra, com uma perpectiva diferente, ainda assim só mais um
Fato 4. o OSCAR tem que parar de ser referência de consagração cinematográfica, com uma visão ultrapassada e premiações duvidosas que não vem de agora.
Coliseu
09/03/2010
1) A minha visão do filme ganhador foi completamente contrária a do Luiz Bolognesi.
A guerra não tem razão de existir… Eu sei disso, você sabe disso e até mesmo os soldados estadunidenses sabem disso… O problema é que muitas vezes a única coisa que o sujeito sabe fazer da vida é derramar sangue… Isso não significa que estamos o santificando, mas muito pelo o contrário, mostrando a mediocridade da vida dele!
2) Avatar possui um roteiro entupido de clichês, vários atores medianos, uma trilha sonora fraquíssima e ganhou apenas os prêmios que mereceu ganhar: os de beleza visual!
3) O ano passado realmente foi ridículo, mas discordo que este também tenha sido fraco, aliás, há tempos não via tantos filmes bons…
4) O atual cinema brasileiro é muito fraco! Vivemos esperando por um “Cidade de Deus” ou “Central do Brasil” por década… É culpa do governo, culpa de produtoras, culpa do monopólio de grandes empresas, culpa de quase todo mundo… O mercado nacional precisa se reestruturar decentemente!
Ísis Alves
10/03/2010
Assim como a Titis disse “o OSCAR tem que parar de ser referência de consagração cinematográfica”. Quem tem uma opinião crítica sobre filmes não leva essa premiação a sério, MAS vamos convir que sabemos que muito provavelmente a maior parte do público que vai aos cinemas não possuem esse senso crítico, certo? E portanto o Oscar continua sendo referência…
E discordo com o Coliseu sobre Avatar ter merecido ganhar o oscar de melhor fotografia. Se Avatar pode concorrer e ganhar nessa categoria a Pixar com todas as suas animações já deveria ter sido indicada e ganho a muito tempo!! A fotografia de “UP! Alta Aventuras” era tão boa quanto a de Avatar e um detalhe importante: as duas foram feitas do mesmo modo: no computador. Enfim…mas um ano de indicaçoes e premiações duvidosos e da consolidação do Cinema arte (arte como um meio de reflexão) em Cinema indústria (que visa a alienção e o entretenimento).
Coliseu
11/03/2010
Vou tentar ser claro, pois a minha explicação quanto ao Avatar ficou bem diferento do que eu desejava falar… A minha birra com o filme é de que ele é ruim! É ruim em quase todos os quesitos, merecendo disputar apenas as categorias de fotografia e arte, o que não quer dizer que ele foi o melhor nestas categorias. (Infelizmente, sou o único ser da Terra que ainda não viu UP! para poder comentar melhor)
E o Oscar, com exceção deste ano e mais alguns poucos outros, em que gostei dos vencedores, deixou realmente de ser uma referência da consagração cinematográfica… O problema é, como já disseram, que nenhum outro festival/premiação tem tanta badalação quanto ele, tornando-se pouco acessível ao “povão”!
A minha humilde opinião é a de que uma certa quantia dos filmes em Sundance, Cannes e outras festas, são meros “cults” aclamados por críticos e que lá no fundo, são extremamente vazios de conteúdo.
Mas isso é uma questão minha, pois prefiro muito mais filmezinhos “pipoca”, bem bobinhos, que me façam rir ou chorar, do que aquelas obras que trazem mensagens complexas por pura massagem de ego da equipe que o produziu.