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Revista trimestral dedicada ao making of de produções audiovisuais. Publica entrevistas com cineastas e matérias sobre o trabalho dos profissionais que ficam atrás das câmeras. www.revistabeta.com.br

O samba que veio do mato

Publicado em 15/03/2010

 

A palavra samba é muito abrangente. Noel Rosa, Cartola, Mangueira ou ainda Vai-Vai e Leci Brandão são alguns nomes que saltam à mente quando se ouve o termo. Mas passariam muito longe João do Ditão, Chico Pinto, Paçoca ou a cidade em que moram, Quadra, a 154 quilômetros da capital paulista. Isso porque até pouco tempo não havia qualquer registro do tradicional e singular samba caipira tocado há décadas pelos grupos dali.

Assim foi até cerca de dois anos atrás, quando os cineastas Gustavo Mello e Luiz Ferraz decidiram transformar Quadra em filme. Com os recursos do Prêmio Estímulo, que ganharam da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, os amigos ficaram quatro meses pesquisando a região e se aproximando de diversos sambadores. O trabalho minucioso resultou no premiado curta Samba de Quadra.

Mais do que registrar depoimentos e encontros dos sambadores, o filme convida a um mergulho na rotina do sertão, permitindo compreender melhor a inspiração para a música simples criada ali. “Não queríamos só registrar, mas passar sensações”, explica Luiz. O tratamento do som foi fundamental para compor esse ritmo pacato à Quadra – “Havia a preocupação de recriar o ambiente sonoramente”, explica Gustavo.

Outro aspecto importante na construção da narrativa é a alternância dos depoimentos com planos introspectivos de atividades rotineiras, como o preparo da galinha para o almoço. A naturalidade dos depoentes faz das entrevistas conversas corriqueiras. Mas mesmo com essa intimidade conquistada, o deslumbre dos personagens foi inevitável na primeira exibição pública do curta, no festival É Tudo Verdade: “Eles ficaram embasbacados, não estavam acreditando”, conta Gustavo. “Para eles, é difícil acreditar que tanta gente possa se interessar”, completa Gal Buitoni, produtora do filme. João do Ditão resume bem a satisfação dos sambadores com a recepção do público: “Pra quem cantava ‘pras coruja, tá bão’ né?”.

Para assistir ao trailer e saber mais informações sobre o curta, acesse aqui. Lá também é possível ouvir uma das mais de mil composições do João do Ditão, cantada por ele e sua irmã Julieta. É apenas um aperitivo do samba de Quadra.

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