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Revista trimestral dedicada ao making of de produções audiovisuais. Publica entrevistas com cineastas e matérias sobre o trabalho dos profissionais que ficam atrás das câmeras. www.revistabeta.com.br

Um festival fantástico

Publicado em 24/05/2010

 

Por Lucas Paraizo

Com o passar dos anos, multiplicaram-se os festivais de cinema considerados temáticos, dedicados a raças, culturas e minorias. Desde festivais judaicos, árabes, católicos, gays ou da terceira idade até outros aparentemente estranhos – como o festival de cinema gastronômico, da justiça e da biologia. Acreditando nesse caminho como opção saudável à recuperação da importância dos festivais, a revista BETA descobriu em Sitges, pequena cidade catalã com 25 mil habitantes, o Festival Internacional de Cinema Fantástico da Catalunha. O evento acontece desde 1967 nos dez primeiros dias do mês de outubro.

Em mais de quarenta anos, passaram por Sitges filmes e diretores que resumem o perfil fantasioso do festival: Profondo Rosso, de Dario Argento; Raiva, Cromossoma 3, A Mosca e eXistenZ, de David Cronenberg; O Cozinheiro, o Ladrão, sua Mulher e o Amante, de Peter Greenaway; Veludo Azul e Mulholland Drive, de David Lynch; O Segredo do Abismo, de James Cameron; A Viagem de Chihiro, de Hayao Miyazaki ou Kill Bill Vol. 1 e 2, de Quentin Tarantino.

Apesar de seu tímido grupo de 80 mil espectadores, Sitges aposta na fidelidade. Quem vai até ele sabe o que vai encontrar e geralmente não se decepciona: celebridades freaks, filmes que dificilmente terão espaço nas salas comerciais, o glamour do final do verão da capital gay da Espanha e o famoso desfile com fantasias de terror do Sitges Zombie Walk.

Mas como todo festival excêntrico, Sitges também tem particularidades que, se não forem encaradas com bom humor, podem incomodar os desavisados – é comum, por exemplo, reações bastante perceptíveis de muitos espectadores. Gritos, aplausos, vaias e xingamentos são marcas registradas da platéia.

Os destaques da edição de 2009 foram as premières de filmes importantes como O mundo imaginário do Dr. Parnassus; The Countess; Grace e Kinatay. O grande favorito do mesmo ano, Enter the Void, de Gaspar Noé, recebeu o Prêmio Especial do Júri. Já o prêmio de Melhor Diretor ficou com Brillante Mendoza.

Como nem tudo é perfeito, o Festival de Sitges comete o mesmo pecado que a maioria dos festivais: distribui uma quantidade exagerada de prêmios (nada menos que 36!) em categorias quase absurdas, como o “Prêmio ao filme que cause as reações mais surpreendentes no público”. O vencedor da categoria no ano passado foi o filme catalão REC 2, de Jaume Balagueró e Paco Plaza – afinal de contas, uma “prata da casa” não pode deixar o festival sem um troféu, mesmo que seja dado pela fábrica de sorvetes que patrocina o evento. Apenas se espera que esse “reconhecimento” não seja um daqueles impressos no cartaz do filme para enganar o desavisado espectador, que pode encará-lo como alguma premiação realmente importante.

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