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Welcome to Nollywood!
Publicado em 29/06/2010
Por Aline Khoury (@aline_khoury)
Anos atrás, quando se ouvia “a maior indústria de cinema do mundo”, logo vinha à cabeça os blockbusters norte-americanos. Os antenados rapidamente corrigiam e bradavam os marcos da indiana Bollywood, que bate os índices produtivos da “fábrica de sonhos” dos EUA. Mas também estes descolados podem estar mais desatualizados do que imaginam. Nada menos que U$ 540 milhões* anuais são faturados pela indústria cinematográfica de um dos trinta piores IDH do planeta. Os dados da Nigéria surpreendem não apenas por metade da população viver com menos de U$1 por dia, mas porque seus estúdios produzem 45 filmes toda semana. Esta avalanche audiovisual é três vezes maior que a produção estadunidense. E como não poderia deixar de ser, o trocadilho é mantido: o fenômeno se chama Nollywood, e montou todo este império há apenas duas décadas.
Como atingir essa criação em massa quando todas as condições estão bem longe de cooperar? O primeiro segredo parece estar na produção. Com dinheiro contado, os orçamentos não ultrapassam U$40 mil, alugando os equipamentos e cenários pelo menor tempo possível. Esqueça as clássicas películas, gruas e parafernálias. Câmeras digitais e tramas populares garantem um alcance inacreditável: 90% dos nigerianos dizem assistir a pelo menos um filme por semana*.
Agora você deve se perguntar como isso é possível com menos de um dólar diário no bolso. A resposta está em um sistema de distribuição completamente diferente. No lugar de ar condicionado, mais de cem poltronas, paredes anti-ruído e afins, os cinemas nigerianos não passam de uma salinha com alguns pares de cadeiras e um DVD ligado em uma TV grande. Para entrar, não é necessário enfrentar uma fila e carimbar ingressos com toda segurança, mas apenas oferecer alguns centavos, segundos antes de começar. Ou então barganhar bilhetes em camelôs. Esta estrutura caseira ajuda a explicar a existência de uma sala para cada 750 habitantes *(contra uma para cada 90 mil brasileiros). De bairro em bairro, as moedas se juntam até tomarem dimensões monstruosas. Proporcionalmente, o lucro cinematográfico anual ultrapassa a renda de muitos estados do país, sendo responsável por cerca de 10% da produção nacional.
Tradições, corrupção e feitiçaria são os temas mais comuns na telona, bastante identificados com o cotidiano popular. E não pense que faltam a tietagem e o glamour hollywoodianos. Genevieve Nnaji é uma das divas mais requisitadas de Nollywood, ultrapassando cem filmes no currículo. As constantes extravagâncias dos astros também contribuem para a avassaladora audiência. Outro ponto importante para o sucesso é o uso do inglês, que facilita a divulgação Nigéria afora. A distribuição no próprio continente africano, aliás, levanta fortes discussões. Com conexão precária entre as estradas, pulverizar as produções é tarefa muito árdua. Mas um boom na transmissão regional com o canal AfricaMagic começa a facilitar as coisas. Presente em cada vez mais lares, vem tornando os africanos fanáticos pelas obras da Nigéria. E é aí que está a brecha para a crítica de muitos vizinhos: a programação tem se focado demais na indústria nigeriana, deixando às sombras produções de outras origens. Em um continente com 54 países de histórias tão diferentes, o grande norte tem de ser a diversidade. Nollywood tem de se colocar não como um sucesso sufocador, mas um modelo que incentive os demais a aprimorarem suas próprias produções.
Obs:
* Dados retirados de www.nollywood.net e www.nollywood.com

























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