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Assista a alguns dos melhores curtas-metragens nacionais disponíveis na internet. Além de produções recentes, conheça curtas que se tornaram clássicos do cinema brasileiro.

Nunca é demais

Publicado em 05/07/2010

 

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)

Convenhamos: vivemos hoje, ainda bem, uma safra extremamente produtiva para o cinema nacional e internacional. Não podemos reclamar da variedade de temas, qualidade e quantidade de títulos. Os curtas-metragens se destacam pela vitória da criatividade sobre as dificuldades de orçamento e conhecimentos técnicos. Mesmo assim, com tudo isso, um elemento ainda chama e prende nossa atenção. A emoção, quando presente em um filme, nunca passa sem ser notada.

Isso não é necessariamente uma crítica negativa ao cinema em geral. Longe de mim afirmar que não há mais ou que nunca houve emoção na sétima arte. É apenas uma ode, uma homenagem e um clamor pessoal pela presença mais constante do sentimento puro estampado nas telas. Pensando friamente, talvez a emoção nem esteja tão em falta assim. Mas, de qualquer forma, ainda chama a minha atenção e salta aos olhos quando é o cerne do filme, viva em cada segundo de sua exibição. É por isso, e somente por isso, que o curta indicado hoje é o britânico Reflections of a Skyline, dirigido pela dupla Michael Tamman e Richard Jakes.

Os ingleses, sempre acusados de serem frios, duros e sem sal, respondem à altura com esse belíssimo curta-metragem. Gravado durante um dia inteiro em um telhado de um edifício em Londres, traz o que há de melhor da terra da rainha. A neblina e a palidez, presentes tanto no cenário quanto no rosto dos atores, aliado ao sotaque carregado, dessa vez desprovido da arrogância peculiar, dão o tom e a melancolia que a obra pede e busca retratar.

O curta fala da crise e o fim de um relacionamento. Em nenhum momento é explícito ou usa de clichês para “explicar” o assunto, tão comum e, ao mesmo tempo, inexplicável. No lugar disso, uma poesia suave e firme, leve e forte, doce e apimentada é maravilhosamente interpretada em forma de jogral por um casal de atores que esbanjam naturalidade. Apesar de não contracenarem, completam-se como se dividissem o mesmo palco. Ela talvez se sobressaia por conseguir transmitir o sentimento do texto com mais verdade, mas nada gritante. O que importa é que Reflections of a Skyline, um filme delicado, com um quê de teatro, enche o coração de qualquer cinéfilo. E emoção, meus amigos, nunca é demais.

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