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Assista a alguns dos melhores curtas-metragens nacionais disponíveis na internet. Além de produções recentes, conheça curtas que se tornaram clássicos do cinema brasileiro.

La vecchiaia è bruta

Publicado em 03/08/2010

 

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)

“A memória é o tesouro da alma” e “quem guarda, tem”. Duas frases de efeito da coleção do meu avô. Ouço essas palavras desde muito pequeno, mas só hoje começo a entender o significado delas. Quanto mais tempo vivemos, mais memórias acumulamos. Quanto mais memórias acumulamos, mais importantes elas se tornam. E quanto mais importantes elas se tornam, mais temos medo de perdê-las. Em alguns casos, perdemos. É a vida.

O curta Dona Cristina perdeu a memória, de Ana Luiza Azevedo, é um delicado retrato de uma vida. Uma vida vivida, sonhada, esquecida, imaginada – várias vidas. Cristina, uma senhora de idade avançada e que vive em um retiro, conversa diariamente com o pequeno Antônio, seu vizinho de cerca. A cada dia, uma história diferente. Muda o enredo, mudam personagens, nomes. Só não muda a doçura e o carisma da senhora que luta e não se abala pelas dificuldades que a velhice lhe impõe. “La vecchiaia è bruta”. Outra do meu avô.

O filme não é inovador na forma. Tem alguns enquadramentos interessantes, planos abertos, mas nada além do trivial. Também não compromete. Conduz muito bem a interação entre os personagens e valoriza os diálogos. Algumas repetições de cena marcam as transições entre os dias, e traduzem muito bem o conceito da obra. Os atores vão muito bem e são extremamente doces e naturais, como o texto pede. O abismo entre gerações, que poderia muito bem distanciá-los, os une de maneira convincente e verdadeira. A sensibilidade, definitivamente, é o ponto mais forte de Dona Cristina perdeu a memória.

Não é preciso dizer que vale assistir. Mas é preciso, sim, dizer que vale refletir. O que doi não é perder a memória. É ser esquecido. Lembre disso enquanto você ainda pode.

Agradeço ao meu avô pelas lembranças que me ajudaram a escrever esta coluna.

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Comentários

  • Gabriel

    13/10/2010

    O curta é de uma sensibilidade, de uma beleza impressionante, os elementos são muito sutis, muito bom mesmo.

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