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Animados e desanimados
Publicado em 16/08/2010
Por Lucas Guratti (@gurattilucas)
Foi-se o tempo em que desenho animado era sinônimo de comédia infantil. O que se vê hoje é uma leva de filmes de animação que, ainda que continuem caindo no gosto das crianças, está carregada de conceitos, valores, lições e dramaticidade. Coisa que muitos filmes que se propõem a isso não conseguem fazer. Não é por caso que Up – Altas Aventuras, por exemplo, tenha sido indicado ao Oscar de Melhor Filme em 2010.
No curta Um Lugar Comum, de Jonas Brandão, isso tudo fica muito claro. A história trata de uma amizade entre um menino e uma menina que começa na infância, em uma pequena praça. A partir desse ponto, tudo passa a girar em torno desse lugar. Tempo, maturidade e os encontros e desencontros que a vida proporciona são os aspectos explorados, com maturidade e delicadeza na medida certa. A analogia entre o crescimento de uma árvore e o de um ser humano não é lá muito original, podendo ser considerada um ponto fraco por críticos mais severos.
A impressão que o filme dá é a de uma inversão conceitual de papéis, onde o cenário se torna o protagonista e os personagens servem como pano de fundo. Isso se reflete na forma como a história é contada – a praça fica “fixa”, e a movimentação dos personagens por ela é que dá continuidade à trama. A animação tradicional, assim como os traços das ilustrações (mais finos e firmes), são marcantes e característicos, em perfeita harmonia com todo o resto.
Como todo filme deveria ser, o ponto alto de Um Lugar Comum é o final. Surpreendentemente triste. Ao menos foi o que eu senti. Uma melancolia, uma sensação de descrença típica dos adultos. Mais uma prova de que essa animação não tem nada de infantil. Tire as crianças da sala.




















Jonas Brandão
12/07/2011
Olá Lucas,
Eu sou o diretor do filme, e fico muito contente pela crítica. Eu falava há pouco com meus amigos que a gente gasta tanto tempo e energia para fazer um filme de animação, e a gente não sabe ao certo o que as pessoas vão falar e pensar a respeito. No fundo, quando eu vejo uma crítica honesta, seja qual ela for, me parece que o trabalho valeu a pena.
Eu gostaria só de comentar um ponto em relação ao que você escreveu. O filme se chama Um lugar comum, que é um nome com triplo sentido. O termo é utilizado à sua forma mais simples e direta, que representa um lugar ordinário, qualquer, que é algo que eu quis trazer para o filme, como também é utilizado para denominar algo repetitivo, clichê, etc. Nesse sentido, eu quis utilizar certos aspectos que são batidos culturalmente, como a árvore crescendo em analogia ao tempo passando e ao desenvolvimento dos seres. A analogia mais direta, na verdade, é utiizar as estações como elementos que representam e exteriorizam o que os personagens icônicos e desprovidos de fala sentem. O terceiro sentido é o sentimento comum de vazio e nostalgia que de uma certa forma permeia a vida dos dois protagonista.
De qualquer forma, o filme é uma leitura simples e icônica a respeito do sentimento e maturidade, e a vida cai em clichês e sentimentos comuns a todos os seres humanos.