Assista a alguns dos melhores curtas-metragens nacionais disponíveis na internet. Além de produções recentes, conheça curtas que se tornaram clássicos do cinema brasileiro.
Parece brincadeira
Publicado em 31/08/2010
Por Lucas Guratti (@gurattilucas)
A pureza e a resposta das crianças, cantadas por Beth Carvalho, já não são as mesmas há muito tempo. Aliás, nunca foram unânimes. A frase que encerra o curta A Invenção da Infância, de Liliana Sulzbach, explica melhor. “Ser criança não significa ter infância”.
O documentário traça um paralelo entre as múltiplas realidades das crianças brasileiras, nas diversas regiões do país. De maneira firme e certeira, o filme se aprofunda em diferentes histórias de vida. Desde as estressadas crianças de famílias ricas do sudeste até as que trabalham pesado e vivem em condições precárias no nordeste. As diferentes percepções de mundo e de si próprios chamam a atenção. O que mais me causou impacto foram as cenas que falavam sobre mortalidade infantil no nordeste, com depoimentos de mães que já haviam perdido muitos filhos e não pareciam se abalar tanto com o fato. Outra coisa que chama a atenção é o depoimento de um menino pobre do nordeste, que diz não se considerar mais criança. A desinformação de crianças mais favorecidas quando questionadas sobre outras realidades também aparece no filme, mas não choca. Apenas confirma o que já se imagina.
O filme é subdividido em partes, como se fossem os atos de uma peça teatral. A narração em off e as ilustrações animadas (que acabaram originando os infográficos, em alta hoje em dia), intercaladas com os depoimentos e imagens, são as características do cinema brasileiro da década de 90 mais marcantes presentes em A Invenção da Infância. Proposital ou não, a desenvoltura e a naturalidade das crianças diante das câmeras, como se interpretassem papéis quase sempre sérios e melancólicos, traduzem o mote do filme. Seres que cortam palha, quebram pedra, fazem inglês, ginástica olímpica, tênis e natação, cobrados pelos pais e pela vida desde cedo. Não se fazem mais crianças como antigamente. E, ao que tudo indica, daqui a alguns anos diremos o mesmo dos adultos.

























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