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Price, Burton e Malloy
Publicado em 03/09/2010
Por Lucas Guratti (@gurattilucas)
“Woe to you, oh Earth and Sea, for the Devil sends the beast with wrath, because he knows the time is short. Let him who hath understanding reckon the number of the Beast, for it is a human number. It’s number is six hundred and sixty six”
Quem é fã da banda britânica de heavy metal Iron Maiden já ouviu o trecho acima inúmeras vezes. Trata-se da introdução de um dos grandes clássicos da banda e do rock mundial, The Number Of The Beast. Em tom grave e mais do que sombrio, as palavras acima são lidas por Vincent Price, um dos principais atores norte-americanos de filmes de terror. Também é de Price a gargalhada aterrorizante que aparece no final de Thriller, grande sucesso de Michael Jackson. Duas contribuições importantes para o mundo da música, mas que não são nada perto de sua contribuição para o cinema.
Clássicos do terror como Museu de Cera, As Sete Máscaras da Morte, A Casa do Terror e Mansão da Meia-Noite tem o nome do ator nos créditos. Um artista sombrio, no melhor sentido que isso pode ter, que acabou virando ídolo do mais sombrio dos cineastas. Ninguém melhor do que Tim Burton para homenagear Vincent Price. E ele o fez, duas vezes. Uma delas foi ao dar a ele o papel do inventor em Edward, Mãos de Tesoura, um dos trabalhos mais reconhecidos do diretor. Por uma triste coincidência, o longa foi o último trabalho de Price antes de falecer, em 1993. Anos antes, em 1982, o ator recebeu uma homenagem ainda mais direta. A animação Vincent, o primeiro curta de stop-motion de Tim Burton, coroa uma trajetória brilhante. Ou obscura. Nesse caso, tanto faz.
Alguns dizem que o curta é uma autobiografia de Burton. Não é difícil de acreditar nessa teoria. A história se passa com um garoto de sete anos chamado Vincent Malloy. De imaginação fértil, o menino sonha ser Vincent Price, fantasiando situações, cenários e personagens macabros. Em preto e branco e com uma direção de arte impecável, Vincent tem todos os traços de uma obra de Tim Burton, incluindo a mistura entre animação tradicional e tridimensional. Os personagens e o estilo lembram muito O Estranho Mundo de Jack, outro sucesso do diretor nas telonas. O texto, uma poesia rimada e cheia de ritmo, também é do cineasta. Ou seja, quase tudo no filme foi feito por Burton. Quase. A narração ele deixou para quem entende do assunto: Vincent Price, mais grave e soturno do que nunca. Nada mais justo. Nem mais assustador.

























Thiagobtt
03/09/2010
Incrível! Viva Tim Burton.
Piera Novaes
04/09/2010
Acho que nunca vi uma descrição tão arrojada de um dos melhores curtas da história. Além de ser um dos melhores trabalhos do Tim Burton (por ser o primeiro), ele é, sem dúvida, a auto-biografia dele, principalmente quando fala do Allan Poe, que acho que foi a chave da porta pra ele falar da morte com tanta naturalidade e humor. A rima do Tim lembra muito o Dr. Suess, mas essa foi uma teoria que eu criei, haha. Parabéns, ficou muito bom.