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A Suprema Felicidade – Por uma Boa Causa

Victor Martinez - 05.11.2010

Por Victor Martinez (@vectu)

Vocês viram que na sexta passada (29/11), estreou em todo o Brasil o novo filme de Arnaldo Jabor, A Suprema Felicidade? Isso, você não está enganado… Jabor, esse mesmo! Para quem não sabe, o polêmico jornalista e comentarista é também cineasta.

a-suprema--webPor muito tempo evitei escrever esse texto. Atrasei. Não porque o filme me desagrada totalmente, pelo contrário… Situado no pós Segunda Guerra, o longa toca (ainda que de forma confusa) em sentimentos universais e atemporais. No entanto, os telespectadores saem da sala de cinema, pensando sobre suas respectivas vidas e na bendita felicidade.

É como se Jabor olhasse para sua vida, buscando episódios significativos e os ligasse para estruturar um roteiro cinematográfico. E assim, depois de 22 anos longe dos sets, ele volta com “um filme sobre memória”, como ele mesmo classifica em coletiva para a imprensa.

Com um determinado saudosismo, Jabor apresenta o protagonista Paulo em três fases de sua vida: ainda criança, vivido por Caio Manhente, pré-adolescente com Michel Joelsas, e se tornando adulto com Jayme Matarazzo. Aparentemente esse personagem seria o alterego do diretor.

Os pais de Paulo (Dan Stulbach e Mariana Lima) se conheceram ainda jovens, casaram e vivem uma rotina de brigas em um casamento frustrado. Nesse caos familiar, o protagonista acaba se influenciando pelo avô, interpretado por Marco Nanini, que saberia lidar com o ritmo da vida melhor do que qualquer outro personagem do filme.

Recuperando estéticas esquecidas, A Suprema Felicidade lembra uma novela. Tudo se passa no bairro carioca da Lapa no final da década de 50. Há algumas cenas que você jura estar vendo um filme do Cinema Novo. As cores, a composição e a música te transportam para outro tempo e espaço. Apesar das referências renderem cenas lindas, elas ficam desorientadas no roteiro.

A impressão que fica é que se tentou abordar muitos temas e personagens complexos ao mesmo tempo. Tem o protagonista Paulo crescendo, o amigo gay que simplesmente some, as angústias da mãe, as frustrações do pai, a vida boêmia do Rio de Janeiro. Sem contar as mulheres, que renderiam outro filme… Tammy di Calafiori que vive uma personagem explorada pela mãe. Mariana Lima, a mulher suprimida pelo casamento. Elke Maravilha como a avó louca. E ainda Maria Flor que vive uma mulher pervertida. Tudo resultado da vida intensa de Jabor…

E, de fato, o filme é cheio de excessos. Quando não de personagens, da própria estrutura narrativa. No entanto, quando se fala de felicidade é difícil ficar no meio termo. Ou é ou não é… e antes de pensar em um filme que a crítica considerasse impecável, Jabor parece ter uma preocupação maior com a própria mensagem da produção. Algo do tipo “vamos tentar ser felizes de novo?”.

Assista ao trailer:

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