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Brisk, baby

lucas.guratti - 08.01.2011

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)

A propaganda estrangeira, sempre ela. No meio publicitário, hoje em dia, é comum atribuir qualidade conceitual e estética às produções internacionais. Anúncios em revistas e jornais, inovações tecnológicas e, principalmente, filmes para TV e internet. Não é exagero, nem falta de nacionalismo. Tudo é melhor e acontece primeiro lá fora, tanto em conceito quanto em execução. Sim, essa é uma opinião pessoal, e não significa que não haja boa propaganda no Brasil. Além do mais, os gringos também fazem muita porcaria. Mas basta dar uma boa olhada nos comerciais mais acessados da internet ou nos mais premiados nos festivais de propaganda ao redor do mundo para compreender o alto nível de excelência e criatividade que os europeus e norte-americanos atingiram. É arte (quase) pura.

Não faltam exemplos de bons filmes estrangeiros com fins comerciais. Alguns deles são tão incríveis que chegam a nos confundir sobre a sua função. Não fosse uma logomarca assinando no fim, poderiam muito bem ser considerados obras cinematográficas – e da melhor qualidade. O negócio fica ainda melhor quando o universo da sétima arte se mistura ao da propaganda, unindo forma e conteúdo. Um dos melhores exemplos disso são as campanhas do chá gelado Brisk. Criados e produzidos nos Estados Unidos, os filmes são animações de até um minuto que recontam diversas passagens famosas do cinema. Personalidades como Machete, Rocky Balboa e Bruce Lee aparecem nos filmes, e em todos eles o produto é o grande protagonista, dando mais emoção e um toque de nonsense aos roteiros. Nem mesmo ícones da música como Frank Sinatra e Ozzy Osbourne escapam das frenéticas propagandas de Brisk.

O conceito, Brisk Stories, que atribui ao chá o poder de transformar histórias comuns em grandes passagens, é muito bom e bem amarrado. Obviamente, isso se reflete nos textos, sempre divertidos. A execução, então, é impecável. Dublagem e trilha sonora bem encaixadas, ritmo que prende os olhos na tela e animações em 3D de altíssima qualidade, de fazer inveja aos melhores estúdios de Hollywood (se é que não são feitas por lá). Analisando friamente, a campanha, apesar de muito boa, não tem nada que não poderia ter sido feito aqui. Criado em agências brasileiras. Finalizado em produtoras brasileiras. O grande segredo, que não é segredo pra ninguém, está em quebrar um pouco a cabeça – e as barreiras.

Como já escrevi aqui uma vez, nossa publicidade vive um sério momento de falta de criatividade e baixa qualidade de produção. Em parte, por culpa da falta de conhecimento, investimento e ousadia de boa parte dos anunciantes. Ao mesmo tempo, como disse certa vez um diretor de uma grande multinacional, caiu também o nível de entendimento do espectador. Tanto faz. Que sirva de exemplo e estímulo para que esse tipo de coisa seja feito por aqui. Campanhas que fazem com que até mesmo os cinéfilos mais exigentes aguardem ansiosos pelo intervalo comercial. Ainda falta muito para que a nossa propaganda, que já foi considerada a melhor do mundo nos tempos áureos de Olivetto e companhia, volte a ser como era antes. Tudo o que a gente precisa é de um pouco de Brisk.

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