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Antes, durante e depois – Biutiful

Victor Martinez - 17.01.2011

Por Victor Martinez (@vectu)

Para quem estava acostumado com as múltiplas histórias do diretor mexicano Alejandro Iñaritú, sexta-feira estreará seu novo filme para quebrar essa marca. Biutiful, apesar de ter a tensão de suas outras produções, estrutura-se em um roteiro concentrado em um único personagem e um fôlego para falar de diversos assuntos da atualidade.

Uxbal, protagonista interpretado por Javier Barden, é um pai dedicado que trabalha no mercado ilegal, intercambiando a fabricação de produtos falsificados por imigrantes chineses e a comercialização dessas mercadorias pelos imigrantes africanos. Tudo acontece em Barcelona! Além disso, Uxbal que é também medium e casado com uma mulher que sofre de bipolaridade, descobre que morrerá dentro de 2 meses por causa de um câncer na próstata que atingiu seu fígado.

Se em seus outros filmes Iñárritu colocava personagens que respondiam de maneiras diferentes por sentimentos que lhes eram comuns; em Biutiful ele faz o contrário: foca-se nas crises de um personagem, originadas ou por razões sociais – imigração, repressão, família, miséria –, ou pela própria natureza humana – câncer, morte, espiritualidade, bipolaridade. Dúvidas típicas de uma sociedade pós-moderna que surgem quando não do próprio cotidiano, da incerteza da vida e também da morte.

O formato de roteiro também pode ser explicado pelo rompimento da parceria entre Iñárritu e o roteirista Guillermo Arriaga, que rendeu trabalhos inesquecíveis como Amores Brutos, 21 Gramas e Babel – o que, por sua vez, não deixou o filme com menos cara do diretor mexicano. Tudo está lá… mas agora de uma forma mais desconfortável e nauseante.

A fotografia de Rodrigo Prieto, por exemplo, ao mesmo tempo que é sutil, é também escura. Não é nenhum pouco convidativa, mas de algum jeito te prende. Você se depara com uma Barcelona obscura e deplorável, mas sair da sala de cinema parece ser impossível. Há muitas pendências durante todo o filme e você quer saber o que está por vir. Não existe uma tecnologia de 3 dimensões, mas as imagens te alcançam com o mesmo efeito. Tudo é muito próximo.

São sentimentos de um nicho muito específico que Iñárritu desperta nos espectadores. Não é só angústia, tensão e desconforto. Existe algo mais sutil, mesmo tocando em assuntos tão diversos. É como se indicasse um mal-estar coletivo inerente a tudo. Cada cena parece acrescentar um obstáculo para o protagonista. Nada está a seu favor. Como uma grande catarse que não acontece, está acontecendo. Antes, durante e depois de Uxbal.

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