Humberto Mauro
lucas.guratti - 03.02.2011
Perfil brasileiro
Por André Bushatsky
Quem nunca ouviu falar de Humberto Mauro não pode dizer que conhece o cinema nacional. Nascido em 30 de abril de 1897, esse mineiro de Volta Grande fez história como pioneiro da sétima arte no Brasil.
Mauro morreu com 86 anos, mas aos 12 já começou a se interessar por cinema. Foi nesta época que se mudou para Cataguases. Lá, teve contato com os filmes de D. W. Griffith, King Vidor e Charles Chaplin – e se apaixonou. Tanto que, em 1925, já realizava seu primeiro filme: Valadião, o cratera.
Uma vez iniciado na vida de cineasta, conheceu Pedro Comello, que seria seu tutor – afinal, apesar de todo interesse, Mauro ainda desconhecia a técnica cinematográfica. Juntos, fizeram Na Primavera da Vida (1926) e Thesouro Perdido (1927), que ganhou da revista Cinearte o Medalhão de Bronze de melhor filme brasilei- ro de 1927. Esses dois filmes, mais Brasa Dormida (1928) e Sangue Mineiro (1929), integram o mais importante ciclo regional do cinema silencioso, chamado Cataguases. Importante ressaltar que Humberto Mauro assinou a história e a direção de todos eles.
A próxima etapa de sua filmografia se deu no Rio de Janeiro, onde dirigiu e fotografou o primeiro longa dos estúdios Cinédia: Lábios sem Beijos (1930), com produção, roteiro e argumento de Adhemar Gonzaga. O filme arrancou aplausos da crítica de plantão. Ainda na Cinédia, fez seu primeiro filme sonoro, Ganga Bruta (1933), que foi considerado uma obra-prima por Alex Viany. “A introdução de Ganga Bruta é um modelo de articulação e medida de linguagem”, disse. De fato, em Ganga Bruta a câmera transformou-se num elemento dramático da história. Além disso, foi um filme de estrutura narrativa revolucionária para a época, com flashbacks e cortes rápidos. Depois de dirigir a Voz do Carnaval (1933), obra que iniciou a produção de filmes com a temática carnavalesca no Brasil, trocou a Cinédia pela Brasil Vita Filmes, um estúdio fundado pela atriz Carmen Santos, estrela de vários de suas obras. Na nova casa, realizou As Sete Maravilhas do Rio de Janeiro (1934), um filme turístico; Pedro II, uma biografia; e Favela dos Meus Amores (1935), uma ficção que explora a temática do morro carioca – um assunto que, como sabemos, foi posteriormente trabalhado por diversos cineastas.
A convite de Roquete Pinto, Mauro se juntou ao Instituto Nacional do Cinema Educativo, onde por várias décadas realizou documentários sobre temas tão variados quanto medicina, dança, astronomia, agricultura e música. Em paralelo ao trabalho no Instituto, realizou, em 1936, o filme Cidade-mulher, com produção da Brasil Vita Filmes e Carmen Santos como atriz principal. Quatro anos depois, rodou Argila, filme que aborda a liberdade do artista, sua relação com o ofício e a questão crucial da criação. Em 1950, Mauro realizou O Canto da Saudade, pela sua produtora Estúdios Rancho Alegre. O filme recebeu elogios por sua poesia e brasilidade.
Humberto Mauro, entre um longa-metragem e outro, todos citados acima, fez dezenas de documentários, média-metragens e biografias. É considerado um dos maiores cineastas brasileiros devido a sua qualidade técnica, originalidade e força produtora.












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