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Mais de mil palhaços no salão

lucas.guratti - 21.02.2011

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)

A poucos dias do Carnaval, procurava um curta que falasse dessa que é a festa popular mais difundida do Brasil e do mundo. Não que eu goste, muito ao contrário, e digo isso sem pudor algum – apenas achei que o tema era cabível. Pensei que seria uma tarefa fácil, afinal, material é o que não falta. É inegável que a beleza e a mobilização do Carnaval podem render horas a fio de conversas de bar. E se rende conversa de bar, também rende filme. Era o que eu pensava. Prefiro acreditar que foi falta de sorte ou de tato ao fazer a pesquisa, e que há curtas sobre Carnaval melhores do que eu encontrei por aí. A minha busca, no fim das contas, me levou a uma única peça: Carne de Carnaval, documentário de Mayra Jucá. Um curta honesto, que entrega o que promete.

O filme é longe de ser grandioso ou ter alguma sacada cinematográfica pouco convencional. Mas, ao que parece, nem tem essa pretensão. No melhor estilo programa-de-auditório-trash, o documentário se constroi com um cenário tosco, um microfone e uma câmera parada, em plano americano. A fórmula é a do velho e bom púlpito, com roteiro solto, sem frescura ou combinação (como todo documentário devia ser, sinceramente). Em meio ao Carnaval de Olinda, um dos mais tradicionais do País, porém não tão divulgado e tietado como as festas do eixo Rio-São Paulo, populares se colocam diante do microfone e dizem o que lhes vêm à mente. E como no calor da celebração as pessoas perdem o filtro, aí está a graça do curta.

Muito além dos tradicionais bonecões que desfilam pelas ruas da cidade pernambucana, o documentário imprime na tela as características e a identidade ímpar do povo de lá. Além dos personagens da região, há também os turistas, que completam a louca miscelânea cultural que a farra proporciona. Já viu, né – o circo está montado (vai ver foi isso que inspirou o “cenário”). De playboys alterados do sul e sudeste, bobos que só, caçando mulheres como quem compra carne no açougue, a um jogral de pequenos guias turísticos, não faltam pontos altos ao documentário. Destaque para um senhor, que começa sua aparição explicando o que é o inferno e termina com a declamação de uma bela – e inesperada – poesia. Um bem construído jogo de palavras, joguete desses, feito marchinha de rua. Feito Carne de Carnaval. Um filme divertido, como não podia deixar de ser. Foi o que eu achei. Mesmo detestando o Carnaval.

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