Um pouco mais que nada?
Victor Martinez - 11.03.2011
Por Victor Martinez (@vectu)
Em período de holofotes no cinema brasileiro, é difícil prestar atenção na arte astrológica proposta pelo filme Corpos Celestes, dirigido por Fernando Severo e Marcos Jorge. Mas devemos ficar atentos, porque é uma dos poucas produções nacionais que possui uma proposta diferente aos atuais blockbusters nacionais. Portanto, corre para o cinema conferir, porque o filme estreia hoje! E mesmo que não seja um “filmaço” – como as pessoas geralmente gostam de se referir –, o longa tem uns planos muito bonitos que merecem ser vistos!
Sem tiros, sem policiais e sem mulheres voluptuosas, o filme apresenta um personagem em dois momentos de sua vida: na infância e na fase adulta. Com um roteiro assinado em parceria entre Carlos Eduardo Magalhães e Mário Lopes, a trama tem um tom intimista que transita entre a fantasia cosmológica e um drama quase que existencialista.
A história tem como epicentro o personagem Francisco: interpretado por Rodrigo Cornelsen, quando criança; e Dalton Vigh, adulto. É no interior do Paraná que Chiquinho cresce e conhece um astrônomo norte-americano (Antar Rohit) . Muito peculiar, o gringo com seus conhecimentos e instrumentos começa a criar no garoto o gosto para os estudos astronômicos. Quando adulto, estuda astronomia e se torna um professor que se envolve com uma mulher (Carolina Holanda) muito bem resolvida e misteriosa. Com esse novo sentimento, forma-se um paralelo entre o silêncio intelectualizado e a cacofonia emocional.
A medida que o filme vai se desenrolando, Francisco é colocado em situações que o empurram para voltar para o passado, para sua pequena vila no interior do Paraná. E assim o faz. A volta para sua cidade, na verdade, acaba sendo um resgate de uma infância interrompida e o reencontro com o adulto que fugiu de um trauma emocional. Falar mais sobre a trama seria revelar pequenas sutilezas de um filme que tem com diferencial esse roteiro sutil, sem grandes transformações e reviravoltas.
Ir ao cinema e se deixar levar pelo silêncio de Francisco talvez possa ser uma grande experiência não só para entender o título do filme e se maravilhar com os planos e grafismos do longa, como também para se perguntar: Quem é você?
Assista ao trailer:












Comentários
Não há comentários no momento.