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O povo de Chico Xavier

Victor Martinez - 01.04.2011

cartaz-webPor Victor Martinez (@vectu)

Depois de Bezerra de Menezes, Chico Xavier e Nosso Lar, chega agora nos cinemas mais um filme espírita: As Mães de Chico Xavier, de Glauber Filho e Halder Gomes. O tema do filme não é apenas a mediunidade ou o mundo espiritual, mas a psicografia como um meio de conforto e superação. Com estreia marcada para hoje, o filme foi feito para encerrar o centenário do médium Chico Xavier, que completaria 101 anos amanhã.

Com um roteiro muito particular, o filme reúne a história de 3 mães que vêem suas vidas mudarem após receberem mensagens psicografadas pelo médium Chico Xavier. Ruth (Via Negromonte) é uma artista plástica que, ao lado do seu marido (Herson Capri), enfrenta o desafio de lidar com o uso de drogas de seu filho. Lara (Tainá Muller), que passa por uma gravidez não planejada. E Elisa (Vanessa Gerbelli), que perde seu filho de 5 anos. Os trajetos dessas mulheres são interligados pelo personagem Karl (Caio Blat), um repórter que investiga a psicografia do médium Chico Xavier.

O longa é inspirado no livro-reportagem Por trás do Véu de Ísis, do jornalista Marcel Souto Maior, que faz um relato jornalístico sobre algumas histórias, envolvendo a psicografia. E, antes de espiritismo, parece que o filme tenta falar sobretudo de assuntos como reconforto ou superação. A opção foi inserir elementos espíritas no longa como simples detalhes, na tentativa de também garantir aquele público que entra nas locadoras, procurando a mais nova prateleira de “filmes espíritas”.

A pergunta que fica é: o espiritismo é de fato um novo gênero ou fase do cinema brasileiro ou mais uma tática para sucesso de bilheteria? E esse questionamento é super importante, não como crítica aos produtores desses filmes, mas como uma forma para reconhecer o espectador brasileiro.

As Mães de Chico Xavier é um melodrama que aborda situações lamentáveis de mães que perdem seus filhos. Embora seja um prato cheio para encher muitas salas (e gastar muito lenço com xororó), isso não acaba acontecendo, porque o público brasileiro não consegue reconhecer esse nosso potencial dramático no audiovisual. É preciso inserir um elemento nos filmes que chame atenção desse público. E foi isso que os diretores de As Mães de Chico Xavier acabam fazendo com a psicografia e com o ator Nelson Xavier, que mais uma vez interpreta Chico Xavier. São elementos em alta e místicos que levam o público brasileiro para assistir a dramas e superações, que apesar de não saberem, vão se reconhecer no filme.

Dá uma olhada no trailer:

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