Um filme no diminutivo
lucas.guratti - 11.04.2011
Por Lucas Guratti (@gurattilucas)
Eletrodoméstica é daqueles filmes que vão se desenrolando, inocentes, como quem não quer nada e, quando o espectador menos espera, bam, paulada. É mais um filme do famoso curtametragista pernambucano Kléber Mendonça Filho. É um curta premiado, colecionador de troféus por aí, de Hamburgo a Santa Maria da Feira. É um filme, digamos, bom. Isso tudo é o que ele é. Agora, vamos ao que não é.
O curta é carregado de metáforas e ícones referenciais, tudo sem a menor sutileza. Ao tratar do cotidiano de uma dona-de-casa de classe média, nos anos 90, berço da sociedade pós-consumo mas ainda extremamente consumista, vivendo numa metrópole recém estabelecida, o filme, pra dizer o mínimo, é extremamente óbvio. Contar a história a partir da relação da protagonista com os aparelhos eletrônicas que a cercam, o que parece ser a ideia central do filme desde o título, poderia ser uma solução criativa. Poderia, não fossem os exageros e o excesso de cenas que tentavam explorar esse aspecto, caindo, naturalmente, na forçação de barra de alguém que tenta, desesperadamente, se fazer entender. E o roteiro, que tinha tudo pra ser certeiro, se perde ainda mais com a atuação razoável da protagonista e as atuações fraquíssimas das crianças, que interpretam o casal de filhos. Ah, e eu também acho que a trama carece de um cuidado maior com a sonoplastia e trilha sonora.
Quando o diretor resolve ser mais subjetivo, no entanto, acerta em cheio. Acerta, por exemplo, ao retratar, nas entrelinhas, a solidão e a fragilidade das relações humanas nos tempos modernos. A ausência do marido é fortemente sentida e mostrada no filme, mesmo que o personagem sequer apareça em cena. A questão da sexualidade, que vai aflorando ao longo da obra e conduz o espectador a um final forte e surpreendente, com tomadas e construções bem pensadas, é a melhor coisa de Eletrodoméstica. Tirando uma ou outra coisa boa, o resto é de razoável para ruim. Muita coisa poderia ter sido cortada (o velho e bom “menos é mais”), repensada, e talvez o filme não mereça metade dos prêmios que conquistou. Não que não deva ser apreciado, muito pelo contrário, só não é tudo aquilo que eu esperava. O que se pode dizer? É um curta bonzinho, legalzinho, bacaninha. Um filminho, que perdeu a chance de ser filmaço. Mas, também, esta é só a minha opinião. Corrosiva, sim, mas apenas uma opinião. E quem sou eu pra discordar de mim mesmo, né?












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