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Nossos guris – Bróder

Victor Martinez - 20.04.2011

Por Victor Martinez (@vectu)

broder-webUm reencontro de 3 amigos na favela do Capão Redondo. É isso que se baseia o filme Bróder, o primeiro longa-metragem do diretor Jeferson De, que levou três troféus (melhor filme, diretor e ator), na 38ª edição do Festival de Gramado. Com 45 cópias, o filme chega amanhã, dia 21 de abril, nas salas de todo o Brasil.

Com roteiro assinado por Jeferson De e Newton Cannito, o filme reúne os personagens Macu (Caio Blat), cuja semelhança com o nome Macunaíma de Mário de Andrade não é mera coincidência, Jaiminho (Jonathan Haagensen), que se torna jogador de futebol na Espanha e Pibe (Sílvio Guindane), que é corretor de imóveis. Macu é o único que ainda continua morando na favela e acaba dentro do esquema do crime na comunidade. Além dos três, o filme conta com um elenco de primeira, incluindo Cássia Kiss, Gustavo Machado, Ailton Graça e rapper Du Bronx.

Mesmo que o filme seja ambientado em apenas um dia na favela do Capão Redondo, a maioria dos integrantes da equipe – desde os roteiristas até o elenco – diz que o filme não é de favela, porque apresenta uma favela ambígua, na qual a família e a amizade entre os três personagens têm um destaque maior. Na minha opinião, uma bobeira!

Claro que o filme ganha mais uma camada subjetiva com o enfoque na família e amigos de Macu, mas seria muita ingenuidade achar que escolher o Capão como cenário seria só mais um detalhe cenográfico. O elenco acreditar de fato que o filme seja só sobre família, demonstra apenas o trabalho positivo de Sérgio Penna, preparador de atores. Eles de fato formaram uma família. O próprio diretor e roteirista Jeferson De disse que ao pensar no Capão Redondo como lugar de seu roteiro, teve que mudar drasticamente muitas cenas do roteiro.

É um filme de favela, sim! Não a favela que se tornou um legado vitimado do Brasil depois de Cidade de Deus de Fernando Meirelles, mas uma favela familiarizada, humanizada. O traficante ou o bandido é o nosso guri protagonista, com quem criamos determinado afeto. O Capão Redondo é sim um personagem do filme, talvez o quarto amigo do trio Macu, Jaiminho e Pibe.

A primeira cena do filme, na qual Macu sai da sua casa e desce o morro para ir para casa, cumprimentando todos por quem passa, deixa claro qual Capão Redondo que esse filme pretende mostrar. Um Capão Família como uma rede de afetos, onde todos se conhecem. Os ditos criminosos não são figuras sem família, são Macus, que tem pai, mãe e amigos, e todos sofrem com sua vida bandida.

Se antes o cinema apresentava a favela como um retrato social, em Bróder, o recorte é menor e talvez mais eloquente: é só o dia do aniversário de Macu, um dia que deveria ser comum, com feijoada, cerveja, família e amigos na laje. No entanto, a fotografia de Gustavo Habda e o ritmo do roteiro apontam para um dia que de comum não tem nada.

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