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Preto no branco

lucas.guratti - 10.05.2011

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)


Clássico é clássico. Uma das principais pérolas videoclípticas da década de 90 não poderia, em hipótese alguma, ficar de fora do hall da fama desta humilde coluna. Afirmo, com o peito cheio de orgulho, que o clipe de Black Or White é a essência mais pura de tudo aquilo que um vídeoclipe deve ter: criatividade, conceito e excelência na execução.


Excelência, aliás, é o que melhor define Michael Jackson – um gênio do canto, da dança e, porque não dizer, da produção audiovisual.

O filme dá sinais de seu pioneirismo tecnológico desde o início, com um zoom-in no planeta Terra, seguido de um longo travelling pelas ruas de uma cidade, o que era incomum e considerado um grande avanço na época. Uma cena depois e outra grata surpresa – ninguém menos do que McCaulay Culkin, o astro dos clássicos Esqueceram de Mim que, ironia do destino, acabou esquecido de verdade, pelo cinema e pela mídia.


O até então pequeno garoto protagoniza o filme ao lado de Michael, no papel de um garoto apaixonado por música e reprimido pelo pai. As cenas iniciais são divertidas, apesar de exagerarem nos efeitos especiais e não terem muita ligação com o restante do clipe, nem com o mote da música.

Dadas as referências estéticas e conceituais que temos hoje, há quem possa dizer que o clipe de Black Or White comete alguns deslizes. Concordo em parte, mas devemos lembrar que o pessoal tinha acabado de sair dos anos 80 e merece um desconto pela breguice e pelos cabelos com permanente.


Os traços da megalomania de Jackson, mais caucasiano e andrógino do que nunca, estão também nos cenários visitados por ele durante o vídeo – todos remontagens de paisagens clássicas ao redor do mundo. A tomada mais famosa é a que mostra o astro cantando, cabelos ao vento, do alto da tocha da Estátua da Liberdade. O melhor do clipe, no entanto, fica para o final.

Quando o hino pela igualdade racial chega ao seu refrão final, a câmera, parada, mostra rostos de pessoas cantando junto com Michael. No entanto, cada rosto se transforma no rosto seguinte, com uma ténica de computação gráfica chamada Morph, aperfeiçoada exclusivamente para o clipe graças a um investimento astronômico de Michael.


Sem dúvida, um marco também para o cinema, que tirou proveito da inovação para dar um grande salto técnico em suas produções desde então. Por isso e por tudo o que representou, foram poucas as homenagens feitas para Michael. Um cara que não apenas avançou, mas avançou fazendo o moonwalk.


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