Estamos juntos ainda que sozinhos
Victor Martinez - 12.05.2011

Por Victor Martinez (@vectu)
“Acho que o céu de São Paulo é o inverso. Para ver as estrelas, você tem que olhar de cima para baixo”. Essa é uma das frases do roteiro de Estamos Juntos, o filme dirigido por Toni Venturi, que chega hoje (03/06) aos cinemas, como o longa mais premiado da 15ª edição do Cine-PE.
Com roteiro de Hilton Lacerda, o longa conta a história de Carmem (Leandra Leal), uma médica residente que mora sozinha em São Paulo. Distante de sua cidade e ao lado do amigo gay Murilo (Cauã Reymond), a protagonista descobre uma grave doença que transforma sua rotina e começa a se relacionar com um enigmático homem (Lee Taylor) e uma recente paixão pelo músico Juan (Nazareno Casero).
Além de uma trama bem amarrada com perfis definidos de personagens, o filme tem um cenário que muitas vezes chama mais atenção do que qualquer outro elemento: São Paulo. Quase como uma outra protagonista, a cidade paulistana salta aos olhos. Ao mesmo tempo que a trama tem a angústia de Carmem, tem também o concreto dessa capital que endurece a personagem.
Embora seja uma médica residente, Carmem também trabalha voluntariamente com militantes do movimento sem-teto. Ela se relaciona diretamente com pessoas que querem ocupar essa cidade de fato. Enquanto ela, que já tem seu espaço delimitado na cidade, faz esse trabalho com um anseio quase egoísta de ainda se sentir útil para a metrópole, que a cada dia se torna mais sufocante.
O próprio título Estamos Juntos é quase uma ironia que talvez só os paulistanos consigam entender. Um lance de dividir a cidade com diferenças, sentimentos, anseios, intervenções, máquinas. E mesmo com tudo, ainda sozinhos. Estamos juntos na cidade, estamos juntos no trânsito, estamos juntos no shopping, estamos juntos no happy hour. Estamos juntos em fuga. Estamos juntos livres. Estamos juntos vivos. Estamos juntos na luta. Estamos juntos com medo. Estamos juntos no limite. Estamos juntos sozinhos. Como as estrelas em uma constelação.
Estamos Juntos tem uma poesia que pode parecer blasé, mas consegue ser até romântica. Diferente de Biutiful, no qual Iñárritu apresenta uma Barcelona sombria e angustiante, que fica com o espectador, mesmo depois de abandonar a sala de cinema, Estamos Juntos tem uma mulher como protagonista, uma cidade que ainda pulsa e uma visão positiva sobre a vida.












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