Ela era de leão e ele tinha dezesseis
lucas.guratti - 20.06.2011
Por Lucas Guratti (@gurattilucas)
Atrasada, mas nada que não possa ser remediado, a Bandas Sonoras fala de mais um sucesso que causou um estrondoso frisson no mundinho cibernético. Trata-se do clipe de Eduardo e Mônica, um dos grandes sucessos do Legião Urbana e, até ontem, décadas depois de ter sido escrita, sem clipe. Uma heresia com um dos principais hinos do rock nacional, rodinhas de violão e bares de karaokê.
Há quem considere Renato Russo, o já falecido líder da banda brasiliense, um gênio. Eu já acho que gênio é um termo forte demais, um exagero. Supervalorizações à parte, Renato era sim um bom intérprete e um grande letrista. Suas criações iam além da rima bê-a-bá, esticando vogais pra caber nos compassos. Ele sabia, como ninguém, contar uma boa história. A maioria das musicas do Legião, inclusive, poderiam muito bem virar filme. Estrutura com começo, meio, clímax e fim, pra isso, elas têm. E foi de uma picardia enorme o insight que os criativos da agência África tiveram ao criarem Eduardo e Mônica – O Filme, para a Vivo. Como um enredo como esse, um roteiro como esse, ainda não tinha virado filme? E virou. E vendeu. E foi um sucesso.
O curta é literal, pontuando as cenas de acordo com cada momento da história do casal da música. A produção é incrível, muito bem feita, e mesmo a verba alta que provavelmente foi investida na produção não tira o mérito do talento dos diretores de cena, câmera e arte. E dos atores, também, perfeitamente encaixados nos personagens – uma grande responsabilidade e um grande feito, visto que Eduardo e Mônica já existiam e estavam totalmente sedimentados no imaginário coletivo de boa parte dos brasileiros. Como critica pessoal, acho que algumas partes do enredo poderiam ter sido melhor exploradas. É compreensível que não tenham sido, pelo curto tempo de encaixe entre um pedaço e outro da letra. Outro grande acerto do clipe é o toque de humor empregado pelos roteiristas, com uma leveza e uma sutileza de tirar o chapéu. Daria pra ficar horas aqui falando bem da obra, sem bajular quem quer que seja uma vez sequer. É que dá gosto ver, guardadas as devidas proporções entre uma produção amadora e uma profissional, quando um filme reúne tantos atributos em perfeita harmonia: estética, forma, preocupação com os detalhes e, acima de tudo, conteúdo. Verdade seja dita, a musica e os músicos, idealizadores disso tudo, também ajudam. Para Eduardo e Mônica – O Filme, cabem muitos elogios. Todos muito maiores do que uma penteadeira.












Wagner Rocha
14/11/2011
Meus parabens Lucas pelos dois anos de colunista aqui no portal, estive lendo algumas de suas sábias colocações, parabens mesmo muito bom tenha certeza passarei a acompanhá-lo constantemente, abraços amigo e até qualquer dia sucesso sempre.