Capitães chegou!
Victor Martinez - 07.10.2011
Por Victor Martinez (@vectu)
Abandono e liberdade. Esses são os dois sentimentos que chamam atenção no filme Capitães da Areia, que estreia hoje nos cinemas do Brasil – exceto no Rio de Janeiro, onde o longa participará do Festival de Cinema.
Baseado na obra homônima de Jorge Amado, o filme, com direção e roteiro de Cecília Amado, neta do literário, traz um ritmo que só quem passa pela Bahia sabe o que é: elementos pontuais como o mar, a capoeira, o sincretismo e até o sotaque costuram de uma forma muito particular possíveis hiatos entre as histórias filmadas.
Os personagens? Meninos de rua. Abandonados para um, maloqueiros para outros, mas antes de tudo adolescentes com todas as significações que as ruas de Salvador em 1930 podem ensinar. A ordem maior é de Pedro Bala (Jean Luis Amorim), líder do grupo que tem controle e respaldo moral de todos os meninos que moram no trapiche coletivo.
Além de baianos, todos os meninos do filme participaram de projetos sócio-culturais, como o Projeto Axé. De 1200 crianças, foram selecionadas 700. Sob provas de improvisação, foram filtrados 90 jovens, que participaram de oficinas de teatro e de capoeira-angola. A partir da desenvoltura das crianças, foi se formando a família dos Capitães da Areia.

Pedro Bala: menino e homem
Se a proposta de Amado no livro é uma denúncia de descaso político por meio da reconstrução da condição subjulgada desses meninos da praia, sua neta no filme tem outro enfoque: social! Ela não pretende investigar os subtextos políticos daquela realidade. Parece que ela se debruça sobre o livro com um olhar quase antropológico para apresentar o dia-a-dia daqueles meninos. “O filme é um rito de passagem para a adolescência, durante um ano na vida dos capitães”, explica a diretora.
Percebe-se isso especialmente pela super valorização dos corpos e da sensualidade no romance de Amado, que também está presente no filme. Durante as filmagens, há rumores de que o ator Amorim cresceu por volta de 10 centímetros – o que foi muito oportuno para o filme, né?! Se a diretora queria evidenciar essa passagem etária, ela conseguiu sobretudo pelo corpo descamisado de Pedro Bala, que começa o filme como menino e termina como homem.
Bahia em imagem e som
A direção de fotografia feita por Guy Gonçalves, co-diretor e marido de Cecília, tem como elemento primordial os meninos. Além do clima Bahia, o cuidado com as cores e a escolha de cenários obedecem a uma paleta de cores que em última instância querem destacar os capitães. Quase não há cenas em que os meninos não aparentam estar estrategicamente posicionados para um retrato militricamente pensado.
Se o assunto é Bahia, nada mais justo que o artista Carlinhos Brow para fazer a direção musical do filme, né?! A música é um dos elementos que enfatiza o quanto esses capitães fizeram e ainda fazem parte não só da nossa história. como. E aí, vai perder!? O filme está com 120 cópias espalhadas pelo país. Não tem desculpa!












Paulo Castilho
08/10/2011
Bem legal esse post! Fiquei curiosíssimo pra ver essa adapta;’ao do escritor Jorge amado nas telonas!!! Parabéns!!