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Um palhaço de verdade, sim senhor!

Victor Martinez - 28.10.2011

Por Victor Martinez (@vectu)

“O gato toma leite, o rato come queijo, e eu sou palhaço”. Essa é uma das falas chaves do protagonista Benjamin do filme O Palhaço, o segundo longa de Selton Mello, que estreia 28 de outubro em todo Brasil.

poster-o-palhaço-webCom 200 cópias, o filme conta a história de uma trupé de circo itinerante com um casal de acrobatas, os irmãos músicos, o ilusionista e a dupla Valdemar e Benjamin, os palhaços Puro Sangue e Pangaré, que são pai e filho, vividos respectivamente por Paulo José e Selton Mello.

Isso… você não leu errado. Selton Mello além de dirigir, atua no filme. E mais, multifacetado que é, o cara ainda escreveu o roteiro ao lado de Marcelo Vindicatto e montou o longa junto com Marília Moraes. É mole?! Segundo ele, “o filme já estava muito claro na cabeça. O storyboard estava pronto”.

É impossível fazer um filme sobre o circo e não lembrar de diretores gringos como Federico Fellini e Wes Anderson. No entanto, O Palhaço faz referência a um universo tanto do humor clássico de Charles Chaplin, como da piada com jeitinho brasileirio dos Trapalhões. No foi por acaso, que Selton convidou comediantes como Moacyr Franco, Jorge Loredo e Ferrugem para fazer parte do espetáculo.

filme-palhaço-webDentro e fora do picadeiro
No drama, ele vive o protagonista Benjamim, um palhaço que nunca viu a vida fora da tenda do circo. Seu único registro no mundo é uma certidão de nascimento antiga. Ser palhaço foi tudo na sua vida, menos uma escolha. Para abandonar tudo e correr atrás da sua identidade (literalmente), ele só precisou de um estímulo: um ventilador elétrico, que acaba se tornando uma paranóia, metaforizando, por sua vez, a necessidade do personagem de fugir daquele universo circense. E ele foge!

Imagina? Um palhaço, de circo itinerante, andando por aí?! Com a maioria dos enquadramentos abertos – característica da direção de Selton Mello –, a imagem do personagem é de alguém que quando não assustado, desorientado com uma vida não nômade. Vamos combinar que para quem vivia no colorido dos holofotes, o preto e branco de uma vida regrada pode ser bem chato mesmo. Para quem nasceu palhaço em um picadeiro de verdade, a palhaçada do dia-a-dia não tem graça. Pelo contrário, agride!

branco-webSobre falar “não”
Quando perguntado sobre um possível registro autobiográfico, o diretor nega, mas deixa uma ressalva, “me identifico com Benjamim, porque estou sempre desistindo”. E, de fato, o protagonista vive duas desistências no filme. Dois planos de vida que são negados, mas também testados! A gente esquece as vezes que para desistência existir deve haver o teste; o risco mesmo.

No fundo, o desistente é o cara que não só se arrisca, como é aquele capaz de negar e voltar atrás. Em tempos de vaidade, é difícil alguém falar “errei!”, ainda mais sobre a própria vida. Assumir uma vontade e se jogar no mundo por ela é quase impensável para a maioria das pessoas. Talvez aí esteja um dos brilhantismos do personagem Benjamim. Ele se deu esse direito.

os-2-mais-legal-webControle de cena
Reinventando-se, Selton Mello além de criar um personagem muito peculiar, em O Palhaço, ele foge de uma dramaturgia vista nos últimos tempos e consegue ser um diretor bastante equilibrado.

Ao lado do ator veterano Paulo José, que assume um personagem capaz de engolir todo filme para si, o diretor (e também ator, né?) encontrou uma fórmula de equilíbrio, na qual é bonito ver a dupla de palhaços em ação.

Selton Mello fez um convite especial para os internautas para o pessoal do Portal Tela Brasil:

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