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A cara dos donos

lucas.guratti - 20.12.2011

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)

 

Michel Gondry é um baita diretor da nova safra. Começou conquistando o cinema francês, e o fez com maestria. Depois, arrebatou corações em Hollywood e, aí, ganhou o mundo com filmaços como Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças e Rebobine Por Favor, com o meu charlatão preferido, Jack Black. Para mim, já era mais do que suficiente pro cara ter o meu respeito e minha admiração. Mas ele foi além e, pra minha agradável surpresa, também jogou na seara dos videoclipes. É até vergonhoso dizer isso, porque eu nunca soube que Gondry fez fama no meio musical, dirigindo clipes de uma série de artistas. E como não podia ser diferente, mandou muito bem.

O White Stripes tá longe de ser uma das minhas bandas favoritas. Na verdade, acho o estilo deles muito arroz com feijão, e não costumo dar muita trela pra bandas de rock que não valorizam solos estridentes de guitarra – uma questão de gosto, apenas. Confesso, no entanto, que o som deles não desagrada. Não só não desagrada, como também cai como uma luva como pano de fundo de qualquer peça cinematográfica. O clipe de The Hardest Button To Button é um grande exemplo de encaixe perfeito entre som e imagem.

Durante todo o filme, as cenas acompanham a batida da música, como se as imagens imprimissem e fixassem cada acorde na tela. Como uma espécie de carimbo, vocalista e baterista percorrem as locações de uma grande cidade em um stopmotion frenético. Sim, senhores, é um stopmotion. Tudo o que aparece ali é real, nada de computação gráfica – e deve ter dado um trabalho fenomenal para a cenografia. A fotografia também combina com o White Stripes e com o Gondry: uma coisa meio lomográfica, meio hypster, com luzes e cores levemente estouradas e desbotadas. Tudo muito bonito, muito coerente, muito diferente, lúdico. Um clipe que tem o mérito de ter a cara da banda e, ao mesmo tempo, a cara do diretor.

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