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O Fotógrafo

lucas.guratti - 03.02.2012

Por Thiago Iacocca

Boca do Lixo conta a história de Hiroito de Moraes Joanides e se passa em São Paulo, nas décadas de 1950 e 1960. Adrian Teijido assina a direção de fotografia e usou seu trabalho como exemplo para radiografarmos a atuação do diretor de fotografia.

Conceito

O diretor Flávio Frederico (Cariri) pediu que a narrativa tivesse características diferentes conforme a fase em que se encontrava Hiroito. O filme começa com ele ainda adolescente, descobrindo e passando a frequentar a Boca do Lixo. Nessa fase mais ingênua de Hiroito, as cores são mais suaves e os movimentos de câmera, mais cadenciados. Depois, o personagem, já adulto, se envolve com um assassinato. A partir daí, ele vai se transformando no Rei da Boca e passamos a utilizar mais câmera na mão, e as cores ficam mais fortes. Pesquisei em livros de fotos da década de 1950 e 1960 e, com o Serginho, colorista, conseguimos um resultado que considero bem interessante, pois tenta retratar a época sem usar o preto e branco.

Formato

Boca do Lixo é um projeto de baixíssimo orçamento. Começamos a pensar em filmar em 16 mm, porém a Cinepro se associou ao projeto e acabamos captando em Red. Utilizamos Red One com o Build 16 e objetivas Master Primes. Houve muita insegurança na utilização da Red, pois se tratava de um dos primeiros longas a utilizar esse formato no Brasil. Então, sugeri captar testes reproduzindo as características do nosso conceito. Captamos cenas em interiores, exteriores de dia e de noite, com atores brancos e negros, testando os figurinos de diversas cores. Editamos o material, marcamos cor, printamos e assistimos em uma tela grande. Foi muito bom, pois chegamos a conclusões bem específicas em relação ao conceito e também de que obtínhamos um melhor resultado, levando em consideração a captação digital.

Câmera e equipe

Utilizamos uma só câmera em todo o projeto. Optamos por um ligeirinho (travelling) e muita câmera na mão – o que foi um problema, pois a Red não é adequada para isso. A equipe era composta de um chefe de eletricista e mais dois assistentes, um maquinista e mais dois assistentes, um assistente de câmera, um segundo assistente, um vídeo assist e um logger. O colorista foi o Serginho, da Casablanca, um excelente colaborador.

Locações

Boca do Lixo foi rodado em quatro semanas, em São Paulo e no centro velho de Santos. Utilizamos muitos sets no antigo Hotel Cambridge, simulando apartamentos, boates, bordéis, etc.

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