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O terno de um milhão de dólares

lucas.guratti - 15.06.2012

Por Lucas Guratti (@gurattilucas)

 

Não são poucas as bandas novas que vêm ganhando espaço no cenário nacional. O rock, principalmente, por muito tempo refém de interesses de gravadoras, rádios e outros tipos de lobbys e dividido em uma meia dúzia de bandas de grande expressão, hoje é erguido por um número muito maior de grupos que conquistaram um lugar ao sol graças às maravilhas democráticas e facilidades do mundo 2.0. A concorrência cresceu mas, com ela, também cresceu o número de oportunidades para que bons músicos mostrem seus trabalhos.

Ter um bom videoclipe no YouTube costuma ser um dos primeiros e mais importantes passos rumo ao estrelato para qualquer banda iniciante. Isso não é uma regra, mas é uma das maneiras mais usadas hoje em dia. Mas e o orçamento? Costuma ser rasteiro, ralinho que só. Afinal, tirando um caso ou outro quando a banda dá a sorte (ou o azar) de cruzar o caminho de um grande produtor musical, esses girinos mal conseguem pagar o que consomem de bebida nos bares das casas onde se apresentam, que dirá bancar uma grande produção em vídeo. Não que apenas grandes produções possam resultar num bom clipe – em alguns casos, basta uma ideia criativa e uma câmera na mão. Mas é inegável que quando criatividade e orçamento se juntam, não tem pra ninguém.

Eu não conhecia a banda O Terno. Não sou propriamente um caçador de coisas novas na música, muito pelo contrário, sou daqueles roqueiros bem conservadores. Vez ou outra, como é o caso dessa vez aqui, aparece coisa muito boa, que chega sem pedir licença. Três moleques, ainda com um pé na adolescência, tocando guitarra, baixo e bateria. Um trio, longe de ser um power trio, mas um bom trio, sim senhor. Eles tocam um rock de qualidade, nada de muito inovador, mas excelente pros padrões atuais – ao menos pros padrões atuais impostos pelos meus exigentes tímpanos. Tem o solo, tem o riff, a pegada que oscila entre o swing e o som mais ligeiro, mais paulada. Como bom redator, não poderia deixar de prestar atenção na letra, uma pérola de tão honesta e bem construída e que brinca, justamente, com a falta de originalidade que temos ouvido por aí e as dificuldades de se lançar no ardiloso mundo da indústria fonográfica. Pra coroar, o clipe de 66 é simplesmente incrível.

O filme, dirigido por Marco Lafer e Gustavo Moraes, não é exatamente uma megaprodução, mas é muito bem feito, com um ótimo acervo de locações e takes espetaculares – com direito até a filmagem subaquática enquanto a banda toca no fundo de uma piscina.  A edição casa muito bem as imagens e dá o dinamismo compassado que a música exige. Tudo isso, junto, faz do clipe uma divertidíssima e carismática película de pouco menos de três minutos. Nada menos do que se espera de uma banda chamada O Terno, que já mostra o valor que tem numa estica de fazer inveja. Agora é torcer pra não amassar.

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