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Nasce um clássico: Febre do Rato

Victor Martinez - 22.06.2012

Por Victor Martinez (@vectu)

Os cidadãos de Recife usam a expressão “febre do rato” para designar alguém que está fora de controle, ou, como dizem, “quando a pessoa está danada”. Não é à toa que foi dessa expressão popular que surgiu o título do novo filme de Cláudio Assis, Febre do Rato, que estreia dia 22 de junho nos cinemas.

Se você tem um estômago sensível e adora maldizer o cinema brasileiro, direcione-se para o blockbuster mais próximo e perca o filme que levou oito prêmios na última edição do Festival de Paulínia. Se, por outro lado, estiver disposto a enxergar o cinema para além das fronteiras do entretenimento, compre logo seu ingresso e viva essa experiência.

A experiência de conhecer o protagonista Zizo, o poeta com pressa de viver, cujo prazer é fazer com que as pessoas prestem atenção em sua poesia, seja no jornalzinho Febre do Rato, que escreve e banca sozinho, ou no boca-boca mesmo com os amigos. Entre sua escrita e o sexo no tanque com as vizinhas de terceira idade, ele se apaixona pela jovem Eneida, o que o deixa extasiado e introvertido.

Se havia dúvida sobre os elementos que norteiam o trabalho do diretor Claúdio Assis, em Febre do Rato eles se tornam mais do que evidentes: cinema, poesia e anarquia. Mais do que contar uma história, é nítido que o diretor defende um modo de vida, no qual a beleza é dada pelos poemas escritos pelo roteirista do filme Hilton Lacerda, que na história surgem como obras de Zizo.

Outra beleza, dessa vez inesperada, é a abstração de um Recife em preto e branco. Se em Amarelo Manga, longa dirigido por Assis em 2002, havia uma coloração quase doentia, aqui nós estamos deparados apenas com a paleta do preto e do branco. “Isso foi uma decisão da equipe para que o público imagine as cores que tem o Recife… sofrido, marginal, perdido e dilacerado”, explica Assis.

Foi sobre essa escolha que o Walter Carvalho trabalhou uma fotografia impecável. A cidade que surge na tela, desde os primeiros fotogramas feitos em uma barco navegando pelo Rio Capibaribe, afasta-se do tropicalimo da capital de Pernambuco para esmiuçar uma beleza muito pontual do mundo periférico de Recife.

Segundo o ator Matheus Nachtergaele, ator dos três longas do diretor, Febre do Rato é “cinema para ser visto na tela grande”. De fato, assistir ao filme na TV é desperdiçar qualidades pouco vistas no cinema brasileiro. O poeta Zizo no final das contas luta por um mundo sem pudores. Siga o exemplo do protagonista e permita-se!

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