Tela Brasil – O portal de formação e informação sobre o universo audiovisual » Blog Archive » À Beira do Caminho: estrada, um lugar de fuga

À Beira do Caminho: estrada, um lugar de fuga

Victor Martinez - 08.08.2012

Por Victor Martinez (@vectu)

Você já ouviu falar de “não-lugares”? Essa expressão que parece absurda é na verdade um conceito proposto por um antropólogo francês chamado Marc Augé, que indica um espaço de passagem incapaz de dar forma a uma identidade. A estrada é um exemplo de um não-lugar: as pessoas passam por ela e não se diferem. São todos iguais. Cada um tem seu destino. Uma possível identidade, mas ainda em potencial.

Em À Beira do Caminho, o novo longa de Breno Silveira, que estreia dia 10 de agosto nos cinemas, o caminhoneiro protagonista encontra na estrada um forma de fuga. Para ele, a estrada supera a noção de passagem, de um “não-lugar”, para ser uma grande negação.

Ele simplesmente foge. Não se sabe por que, nem por quem. Temos apenas rastros de imagens, em forma de flashbacks durante o filme. Uma coisa é certa: João vive uma dor, uma amarra; ele não é um caminhoneiro, o caminhão é só uma caixa ambulante, onde ele pode se esconder. É um personagem que se entende como um ser sem saída.

Segundo o roteiro assinado por Patrícia Andrade, esse caminhoneiro é João (João Miguel), que vai acabar dando uma carona para Duda (Vinicius Nascimento), um menino em busca do pai que nunca conheceu. Os dois personagens são quase opostos: Duda não tem nada, mas esbanja autoconfiança e otimismo, algo que João já perdeu.

A ideia inicial do filme de Lea Penteado era um homem e uma criança que estavam indo para um show do Roberto Carlos por causa de uma desilusão amorosa. Com a direção de Breno Silveira, o mesmo diretor de Dois Filhos de Francisco, o filme ganhou um apelo musical, no qual quatro músicas do dito rei costuram toda história. “A união entre imagem e música é muito boa para emocionar”, explica o próprio diretor.

Mais do que isso! Do mesmo jeito que Roberto Carlos conquistou o mundo com sua simplicidade, Breno Silveira apresenta uma história emocionante com imagens óbvias. Não é qualquer música, nem quaisquer imagens. É uma combinação capaz de criar o mesmo efeito daquels cartazes de caminhão. É do banal que são retiradas as emoções que a nós são tão comuns e, acabam atingindo o público em cheio.

Alias não só púbico, a crítica também. À beira do caminho foi o grande vencedor do 16ª edição do Cine PE. O longa saiu da cerimônia de premiação com cinco troféus Calunga: melhor filme, ator (Miguel), roteiro (Patrícia Andrade), do júri popular e o prêmio Gilberto Freire.

Vá ao cinema conferir um filme brasileiro.

Comentários

Não há comentários no momento.

Envie seu comentário