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Os caminhos do cinema das estradas à Internet

Redação TelaBr - 13.09.2012

Com todas as novidades que as mídias digitais apresentam a cada segundo, a democratização da informação – e da formação – se torna possível. E, se há algum tempo o ensino à distância era restrito a alguns poucos (e caros) cursos de inglês ou MBA, hoje a Internet é muito mais do que uma cidade universitária ou uma biblioteca virtual.

Mas a verdadeira revolução que estamos vivendo não é a nova cara do computador, nem o gigantesco volume de informação disponível na Internet. A mudança começa com a interatividade, com o convite feito ao internauta para que ele contribua com o conteúdo apresentado e receba feedback de sua colaboração.

Hoje, com um conhecimento ínfimo de tecnologia caseira, todos podem fazer e colocar na Internet seus textos, vídeos, músicas e outras formas de expressão. Há 16 anos, quando os computadores e a Internet (lentíssimos) começavam a chegar nas casas dos mais abastados, nós rodamos de carro por todo o Brasil, exibindo filmes nacionais em praças públicas, igrejas e escolas. A viagem durou sete meses, percorremos do Sul da Bahia ao interior da Amazônia. Como cineastas e também como cidadãos, queríamos fazer alguma diferença nesse País em que cerca de 90% dos municípios não têm sala de cinema.

O sonho que era despretensioso, mambembe, há oito anos se tornou projeto grande, batizado de Cine Tela Brasil. Com o patrocínio da CCR, por meio do programa CCR – Cultura Nas Estradas, e da Fundação Telefônica, dois caminhões levam salas itinerantes de cinema e filmes nacionais para os brasileiros. O Cine Tela Brasil já impactou quase um milhão de brasileiros, em 4.946 mil sessões de cinema grátis em 413 cidades visitadas. As salas do Cine Tela Brasil têm em média 88% de ocupação, a maior taxa do Brasil.

Quando tudo parecia estabelecido e dando muito certo, começamos a pensar que a verdadeira revolução seria ensinar às comunidades de baixa renda a produzir, a contar ou inventar suas próprias histórias. Criamos as Oficinas Itinerantes de Vídeo. Um time de sócio-educadores explica cada etapa da produção de um curta-metragem aos jovens, que aprendem e produzem um filme. As Oficinas são tão bem sucedidas e os realizadores de baixa renda têm tanto a dizer que já vimos muitos curtas serem selecionados para importantes festivais de cinema no país.

Novamente, sentimos necessidade de ampliar as dimensões do Cine Tela Brasil. A Internet sempre nos pareceu um importante meio para a troca de impressões e de expressões, para ensinar e para aprender. Queríamos um portal que tivesse cara de cinema, de um set com todas as etapas do processo de produção de um filme.

E assim surgiu o Portal Tela Brasil (www.telabr.com.br), que está no ar há seis anos, com patrocínio da Fundação Telefônica Vivo e CCR. Os jovens que participaram das Oficinas Itinerantes de Vídeos que percorrem o país podem continuar aprendendo, criando e convivendo com o mundo da produção audiovisual que descobriram há pouco.

Pensar no conteúdo de um portal com foco no ensino – de qualquer disciplina, da matemática à poesia – não é fácil. Como conquistar a atenção e o tempo dos internautas diante da multiplicidade de opções dentro e fora da rede?

No portal Tela Brasil, o internauta pode participar das Oficinas Virtuais, nas quais percorre todo o processo de produção de um filme até chegar à sala de cinema. Oficinas de roteiro, produção, direção, fotografia, trilha sonora, montagem, pós-produção e até de exibição fazem parte do conteúdo disponível gratuitamente ao visitante do portal. Cada oficina também é composta por exercícios virtuais. O portal traz ainda muita informação: notícias sobre cinema, inscrições para festivais e cursos, filmografias, biografias de grandes nomes do audiovisual e bibliografias.

Nossa expectativa é que o Portal Tela Brasil amplifique a voz dos jovens de baixa renda e de todos aqueles que desejam aprender uma nova maneira de contar e mostrar suas histórias.

E com o suporte das redes sociais, como Facebook, Twitter e YouTube, vamos disseminar ainda mais essas histórias e espalhar pela internet a produção audiovisual de jovens de todo o Brasil. Nas redes sociais também vamos contar um pouco dos bastidores dos projetos, curiosidades das cidades que percorremos e ainda histórias de quem faz tudo isso acontecer: produtores, coordenadores pedagógicos e vocês, que nos recebem por onde passamos.

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Luiz Bolognesi é roteirista e diretor da animação “Uma História de Amor e Fúria” e de diversos filmes como “Bicho de 7 Cabeças”, “Terra Vermelha”, “Chega de Saudade” e “As Melhores Coisas do Mundo”

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Comentários

  • Rita de Cássia Nascimento dos Santos

    20/12/2013

    Sou professora de português e francês. Trabalhei esse ano com Arte, também. Tenho entendido que o melhor para os estudantes é a própria construção do conhecimento. Por isso busco alternativas, outras, que não a do professor conteúdista. A produção de videos pode ser uma dessas formas de trabalhar.
    Infelizmente, nossos estudantes ainda tem pouco acesso ao cinema, muito menos à produção de seus próprios vídeos. Uma notícia boa, a esse respeito é o projeto estruturante Prove, nas escolas públicas que lhes permite uma iniciação ao cinema.

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