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Elemento surpresa e riqueza na obra

Redação TelaBr - 02.11.2012

O curta-metragem Tudo e Nada finalizado coletivamente por alunos de escolas públicas da cidade de Mucuri, na Bahia, pega de surpresa o espectador incauto.

Ao apresentar em flashes episódicos a vida de Elias Wagner desde seu nascimento, na virada dos anos 1960 e 70, de início pensa-se estar diante de uma ficção. A meio caminho andado do curta, surge em off a narração que revela que Elias Wagner é um cidadão da terra que, mesmo tomando a gotinha contra poliomielite quando pequeno, foi condenado a viver em cadeira de rodas. Sempre acompanhado do pai (até o falecimento deste), o protagonista do curta revela, enquanto cenas com atores não-profissionais avançam, que foi a figura paterna que trouxe a música à sua vida, preenchendo o vazio provocado pela mobilidade deficiente.

No final do curta, o espectador conhece o Elias Wagner real, que se tornou cantor sertanejo reconhecido na Bahia e cujo nome do primeiro CD intitula também o filme. Este elemento-surpresa da narração documental dá riqueza ao trabalho, que equilibra bem a encenação de passagens-chave da vida de Elias com seu depoimento, um manifesto sincero sobre a força de superação que mobiliza pessoas com reveses. Identificou-se nesta história real uma mensagem universal de importância perene, levando assim o espectador a sentir mais “tudo” que “nada” vendo o curta concluído.

Christian Petterman, crítico de cinema

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