Tela Brasil – O portal de formação e informação sobre o universo audiovisual » Blog Archive » Filmes na rede

Filmes na rede

Redação TelaBr - 05.06.2014

O conceito e a realidade do www começaram a ser elaborados nos anos 1960 e revolucionaram a ciência, o comportamento, a política, os negócios e também a produção audiovisual.  Surgiram novos meios de comunicação entre os Ws da internet, bem como formatos realizados para serem exibido somente no ambiente do bytes e bites.

A Agência Click , de publicidade, foi, senão a primeira, uma das pioneiras a focar sua produção na rede mundial de computadores. Desbravar esse novo território foi, no começo, trabalhoso, difícil, mas, depois, todo o esforço acabou recompensado com o reconhecimento e os prêmios em festivais renomados, como Cannes. O nome de PJ Pereira, um dos sócios  da empresa na época, por exemplo, virou sinônimo de publicidade na internet e, hoje, a agência tem escritórios em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, e, entre seus principais clientes, estão a Fiat, SKY, Sadia, Banco do Brasil, Embratur, TIM e Infraero.

“Quando a agência nasceu [em 1999], nem existia a demanda para mídia digital. O processo foi muito complexo, pois tivemos que criar a demanda. Quando fazíamos, na época, um CD-Rom multimídia ou um site para um cliente, despertava a vontade dos concorrentes de não ficar para trás. E assim fomos catequizando e conquistando o mercado ao mesmo tempo”, lembra Eduardo Battiston, diretor executivo de criação da, hoje, AgênciaClick Isobar. Para ele, atualmente, “todos o tipo de marcas e produtos estão se beneficiando cada vez mais da internet”.

Ao todo, já foram 19 leões abocanhados pelas peças e filmes publicitários no renomado festival francês de publicidade, o mais importante ­do mundo. “Desde 1999, os principais prêmios de propaganda criaram a categoria Cyber,  para os trabalhos digitais. E a Click sempre teve uma performance invejável, incluindo o primeiro Grand Prix de Cyber do Brasil, no Festival Cannes Lions, em 2000, com o filme Blind“, afirma Battiston.

 

Um mundo (quase) sem regras

Toda essa bagagem, acabou permitindo à Click compreender esse efêmero, urgente e interativo mercado, de maneira a traduzir e aplicar suas regras dentro da agência e no momento de escolher os profissionais que vão criar suas peças.

“O melhor de criar para as mídias digitais é justamente o fato de não existirem regras fixas, ou seja, pode-se tentar criar as regras e os formatos. Enquanto outros canais como a TV e a mídia impressa tem formatos rígidos (30 segundos, página dupla, etc.), na internet podemos criar mais livremente”, garante o diretor de criação.

 

Publicitário analógico x publicitário digital

Segundo Battiston, quando a publicidade descobriu o potencial do universo digital e se lançou a conquistá-lo, havia uma divisão clara de quem jogava em qual facção. Mas, como em todas as modalidades da comunicação, essa fronteira foi se dissolvendo. Quer dizer o conceito de multimídia, nascido no ambiente www, tomou conta de todos os extratos da profissão de publicitário – um movimento que aconteceu também com os outros feudos da comunicação.

“No começo da internet, tínhamos essa separação clara dos publicitários on e offline. Com o passar do tempo, todos se tornaram usuários de internet e, felizmente, essas barreiras caíram.” Ou seja, traduzindo, hoje o profissional que caia nessa linha de produção precisa ser versátil, fazer de tudo ou, pelo menos, estar disposto a isso.

 

Atenção iniciantes

Para aqueles que estão chegando ao mercado de trabalho, de olho na produção de filmes publicitários, como diretor de criação da Click Isobar, ele diz que as agências com foco nesse tipo de produção têm grande interesse por pessoas versadas em redes sociais.

“O que se busca num candidato é a vontade de inovar, de fazer algo que nunca foi feito e que pode mudar a vida das pessoas. Se você souber mais das ferramentas de mídias sociais, está em vantagem.”

Para exemplificar a importância de ser up to date, ter a rédea da imaginação solta e estar de braço dado com a inquietude, Battiston recorda do primeiro filme (peça) publicitário da agência a ganhar um prêmio em Cannes. “Se compararmos o filme Blind, do Banco de Olhos de São Paulo, um  trabalho de 1999, com a Fiat Live Store [uma loja on-line na qual se experimenta o carro em áudio e vídeo], o primeiro job foi infinitamente mais simples, mas, ao mesmo tempo, os desafios de se criar uma ótima e inovadora experiência do usuário e estar sempre no limite do que é possível tecnologicamente, já estavam presentes desde Blind“, diz o diretor de criação.

Uma contribuição para o mercado de audiovisual feita pela internet foi o incremento da qualidade que ela provocou nos trabalhos audiovisuais, levando as produtoras a uma renovação de seus métodos e a investimentos em equipamentos e mão de obra qualificada.

O diretor da Click Isobar, e seus colegas publicitários, sabem que o consumidor de internet não aceita uma qualidade inferior ao conteúdo que ele vê na TV. “Aquela história de vídeos amadores, ficou lá nos primórdios da mídia. Portanto, o que se busca [nas produtoras parceiras] é um diretor capaz de contar uma história da melhor maneira. É verdade que a verba de produção ainda não é igual à de produção de comerciais para TV, mas a gente tenta compensar dando mais liberdade criativa para o diretor, numa relação um pouco diferente das agências mais tradicionais.”

Ele insiste em dizer que a senha para se entrar nesse mundo do filme publicitário para a internet é a inovação, ser dono de ideias que fogem dos formatos pré-concebidos. “Acredito que a maior contribuição da internet para a publicidade foi questionar a dinâmica da propaganda tradicional, de interromper o entretenimento das pessoas para anunciar o seu produto”.

 

 

Comentários

Não há comentários no momento.

Envie seu comentário