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Projeto Primeiro Filme, do Rio Grande do Sul, cria material de apoio ao ensino audiovisual e Festival de obras audiovisuais produzidas por alunos do Ensino Médio

Redação TelaBr - 05.08.2015

“Fazer o seu primeiro filme não vai ser difícil. Primeiro você vai encontrar uma boa história para ser contada. Talvez você mesmo imagine e desenvolva essa história, mas também pode pedir ajuda para um de seus amigos que gostam de escrever, de preferência aqueles que tiram as melhores notas em Redação.”

É assim, com linguagem simples, direta e endereçada aos jovens, que o cineasta e professor gaúcho Carlos Gerbase define a missão do audiovisual no livro Primeiro Filme. Em 2013, ao lado da sócia Luciana Tomasi na produtora Prana Filmes, ele idealizou e pôs em prática o Primeiro Filme, projeto de apoio ao ensino e à prática de cinema nas escolas de Ensino Médio que engloba, além do livro homônimo e de um DVD, materiais didáticos sobre audiovisual e o festival Primeiro Filme, uma iniciativa viabilizada pelo Santander Cultural que recebe obras audiovisuais (ficções ou documentários) criadas e produzidas por escolas e ONGs do Rio Grande do Sul. “Nós não queríamos fazer apenas um festival. Percebíamos que havia no Brasil uma lacuna de material didático específico para o audiovisual voltado para jovens do Ensino Médio. Toda a iniciativa que havia até então eram coisas mais elaboradas, que assusta os jovens, relembra Gerbase. Clique aqui para ver um vídeo do cineasta contando os detalhes do projeto.

Em sua primeira edição, o sucesso do Festival foi absoluto: mais de 40 filmes. A edição deste ano recebeu inscrições até o dia 30 de junho, e os 15 finalistas serão exibidos nesta sexta-feira, 07 de agosto, no Grande Hall do Santander Cultural, na Praça da Alfândega, em Porto Alegre.

A iniciativa bem-sucedida de Gerbase e Luciana ficou restrita ao Estado do Rio Grande do Sul, mas tem potencial para se espalhar pelo Brasil inteiro. Para os cineastas, o principal é interesse e vontade de fazer. “Criatividade não falta em nenhuma escola, rica ou pobre. O mais importante de um projeto como este é botar para fora visões, artísticas latentes e abafadas por falta de condições sócio-financeiras ou por falta de estímulo”, afirma a cineasta. “A linguagem audiovisual é antes de tudo uma maneira de falar sobre o mundo, e falar sobre o mundo é muito importante para quem quer se posicionar culturalmente e afirmar a sua individualidade”, diz Gerbase. O professor ressalta acima de tudo a importância de deixar os alunos em liberdade para criar. “O professor precisa dominar minimamente a linguagem. É preciso discutir cinema, do ponto de vista narrativo, técnico, etc. A partir daí, é estimular que eles façam, deixá-los em liberdade. Os alunos não podem ver o filme como mais uma tarefa. Outra coisa é deixar que o filme fale sobre os temas que os jovens queiram falar. O professor não pode ficar assustado quando eles querem dizer determinada coisa sobre a escola, a família, sobre eles próprios”, explica.

Para Luciana, a principal ferramenta para encantar os jovens ao universo do cinema é mostrar que falta de recursos financeiros não é impedimento, que é possível “fazer ficção com o figurino do próprio corpo”. “Os alunos já são encantados em produzir imagens, principalmente nos celulares. O mundo é imagem e eles sabem disso. O Primeiro Filme está ajudando a dar condições de saber o que fazer com estas imagens e fazer as melhores imagens possíveis. Também ensinando a pensar os roteiros, que são fundamentais. O mais fascinante é ver os trabalhos das escolas de estudantes especiais, que têm feito trabalhos incríveis com todas suas deficiências”, conta.

Os professores e jovens interessados no projeto ou em começar algo similar em sua escola, podem acessar gratuitamente o material didático desenvolvido pelo Primeiro Filme. O site do projeto disponibiliza, além de capítulos do livro Primeiro Filme, dicas de conteúdo para quem quer fazer cinema, desde publicações sobre criação, produção e roteiro, até sites especializados em audiovisual. Além disso, as escolas podem solicitar o livro físico e/ou o DVD e receber gratuitamente em casa, basta entrar em contato com Gerbase pelo e-mail gerbase@pranafilmes.com.br e identificar a necessidade de sua escola. Você que é professor, clique aqui para acessar o site e indique aos seus alunos.

Quem quiser se inspirar, pode também clicar aqui e assistir ao curta Faroeste Moderno, vencedor do prêmio de melhor direção da última edição do Festival.

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