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Jonas é um thriller policial ao embalo do carnaval

Redação TelaBr - 04.11.2016

Jonas (Jesuíta Barbosa) é um garoto dividido. Filho de empregada doméstica, ele vive com um pé na rica casa dos patrões da mãe e outro no barraco que mora na periferia do bairro Vila Madalena, em São Paulo. O jovem segue uma vida dupla trabalhando como avião para o traficante Dandão (Criolo) ao mesmo tempo em que se esforça para ser uma figura paterna para o pequeno irmão Jander (Luam Marques), na ausência do pai alcoólatra.

Com a chegada de Branca (Laura Neiva), filha dos patrões da mãe de Jonas e amiga de infância, o rapaz passa a questionar seu lugar: a paixão platônica se transforma em obsessão. Ele decide sequestrar a jovem e mantê-la em cativeiro dentro de um carro alegórico no formato de uma baleia. O carnaval se torna metáfora para uma história de amor com data de validade, Jonas tenta achar uma saída para a situação enquanto o cerco vai se fechando.

Filmado em pleno carnaval paulistano, o primeiro longa de ficção de Lô Politi foi gravado em locação na Vila Madalena e no sambódromo do Anhembi. Em 2013, ela acompanhou por um mês os preparativos do desfile da Escola Pérola Negra, campeã do carnaval daquele ano. “Se a escola não tivesse sido campeã estaríamos em maus lençóis. Tivemos muita sorte. A baleia participou do Desfile das Campeãs, pra não atrapalhar a escola no desfile oficial”, conta a diretora.

Em entrevista ao TELA BRASIL, Lô Politi fala sobre como a sua relação com o carnaval serviu de inspiração e a importância da cidade de São Paulo para a trama de Jonas. Leia abaixo:

Jonas é uma história de amor ou uma história de violência? O seu filme parece andar numa linha tênue entre conceitos antagônicos, como riqueza e pobreza, feio e belo, inocência e corrupção. 

Jonas é um drama de amor, uma história de amor impossível. Não vejo como um filme violento. Acho que a maior violência é social, mesmo. Morte, crime, toda a parte “thriller” funcionam mais para intensificar o drama do garoto que se ilude com o amor que não pode ter.

Em entrevista anterior, você afirma que o tom surreal do Carnaval serviu de inspiração. Como a trama do filme foi construída a partir dessa ideia?

O filme foi inspirado pelo colorido do estacionamento de carros alegóricos que montam ao lado do Sambódromo entre os desfiles, uma das partes mais cinza de São Paulo. Já a Vila Madalena, durante o carnaval, fica ainda mais colorida e barulhenta. Mais um dos contrastes do filme. Isso tudo ajuda a fazer de Jonas um cara deslocado em seu mundo. No momento em que a família, o bairro, tudo está imerso na fantasia coletiva do carnaval, ele embarca na própria ilusão. É importante lembrar que São Paulo tem um carnaval de avenida meio lado B, bem diferente do Rio. Esse carnaval lado B, o cinza da cidade, a especificidade da Vila Madalena como caldeirão social e cultural, tudo foi inspiração pro roteiro.

A cidade de São Paulo é um personagem à parte no seu filme. O quanto a metrópole foi importante para a composição da obra?

Importantíssima. O filme é radicalmente paulistano. Mas uma São Paulo, e principalmente uma Vila Madalena, que poucos conhecem.  Quis localizar bem o filme, explorar as entranhas do bairro.

O filme também tem certo tom documental. Inclusive, uma peça chave da trama, a baleia cenográfica participou no desfile oficial do Carnaval de São Paulo. Como o filme foi se adaptando ao longo desses acasos?

Foi bem difícil! Tivemos todos os problemas que se pode imaginar ao filmar em pleno carnaval, inclusive muita chuva, muito trânsito e muita tensão. E filmar durante um mês nas ruas da Vila Madalena também foi bem difícil. Causamos certo transtorno, era um circo imenso se movimentando pelas ruas do bairro todos os dias. Mas acho que valeu a pena. A Vila Madalena está impressa em cada fotograma do filme.

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