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“Elis”, cinebiografia dirigida por Hugo Prata, foca na trajetória artística da cantora, morta em 1982. O elenco conta com Andréia Horta no papel da Pimentinha

Redação TelaBr - 25.11.2016

“Todos sabem que eu não sou ela e ela não sou eu. A partir do momento que percebi isso, fiquei mais tranquila”, afirma Andréia Horta que interpreta a cantora Elis Regina na cinebiografia “Elis”. Talvez tranquila não seja a melhor definição, como admite a atriz. Ela cresceu ouvindo as músicas da Pimentinha, influenciada pelos pais. Aos 15 anos, cortou o cabelo curtinho em homenagem à cantora. Quando a fã recebeu o convite para viver nas telas a artista que admirava, a felicidade logo se transformou em preocupação.

“Primeiro, houve o desejo enorme de honrar essa figura, essa artista, essa voz. Depois, veio uma preocupação: a responsabilidade de corresponder à expectativa diante da comparação. Mas, depois, eu pensei: ‘O desejo me trouxe aqui porque sempre fui muito fã. Agora, sou que estou aqui, com sangue correndo e é esse corpo que pode contar essa história’”, revela.

Foram cinco meses de preparação para o papel, treinando todos os dias, das 9 às 17 horas. Andréia contava com a assistência de um preparador de voz cantada, um de voz falada e mais um de corpo. O diretor Hugo Prata optou por usar os áudios originais de Elis nas canções do filme, entretanto ele se diz surpreendido pela entrega da atriz em cena.

“Para que a junção da voz da Elis com a imagem da Andréia ficasse crível, foi muita labuta. Ela aprendeu a usar o diafragma, a respirar e emitir a voz, para cantar de verdade. Apesar do áudio não ser dela, em todas as cenas ela está cantando como uma profissional. Ficava exausta. A voz dela acabou mais de uma vez no set, porque tinha que repetir as cenas várias vezes”, conta.

O filme retrata a trajetória musical da cantora, começando com a vinda de Elis pra o Rio de Janeiro em no dia de 1º de abril de 1964, exatamente no dia do golpe militar. A sua carreira se inicia ao se aproximar dos produtores Ronaldo Bôscoli (Gustavo Machado), que se tornaria seu primeiro marido, e Luiz Carlos Miéle (Lúcio Mauro Filho). A consagração chega com o programa O Fino da Bossa, na TV Record, junto com Jair Rodrigues (Ícaro Silva). A produção também acompanha a maternidade da cantora, o segundo casamento com o pianista César Camargo Mariano (Caco Ciocler), o embate dela com o regime militar e a repentina morte aos 36 anos por overdose de cocaína em 1982.

O filme, que foi lançado nacionalmente na última quinta (24), marca a estreia na direção de longas metragens de Hugo Prata, mais conhecido por seu trabalho com videoclipes – são mais de 60 produções de artistas como Ivete Sangalo, Pato Fu, Skank e Djavan. O diretor também foi responsável pela implementação da MTV Brasil, nos anos 1990.

“Sou um cineasta apaixonado por música. Ouço Elis desde que nasci, em plena Era dos Festivais. Meus pais eram assíduos frequentadores. Sou de abril de 65, mês e ano que ela explode cantando Arrastão. Mas eu busquei me afastar dessa idolatria. Caso eu decidisse apenas enaltecer Elis, não faria um grande filme. Busquei a mulher real, para além do glamour. Elis teve uma infância dura, com 13 anos já sustentava a família, desenvolveu toda uma carreira durante a ditadura, criou três filhos, lutou contra o machismo. O filme trata disso”, define o diretor.

Elis ganhou três prêmios no Festival de Gramado, de melhor filme pelo júri popular, melhor atriz para Andréia Horta e melhor montagem para Tiago Feliciano.

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