Texto - Sala de Som e Trilha Sonora
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Trilha Sonora: COLORIR COM MÚSICA
Semelhante a um pintor, que ao desenhar um quadro pensa na tonalidade das tintas que vai usar para transmitir sentimentos com beleza e harmonia, o diretor – junto com o fotógrafo e o diretor de arte – pensa na paleta de cores que vai caracterizar a estética de seu filme. Da mesma forma, o profissional de trilha sonora cria sua paleta, formada por cores musicais.
Um filme de ação que tem sua história ambientada no verão de Cuba exige uma paleta musical diferente de um filme minimalista que concentra seus acontecimentos no inverno de Moscou. Um trecho de filme mais vibrante, com mais ação, naturalmente pede uma tonalidade musical mais vibrante, mais quente. Um trecho de filme sombrio pede uma tonalidade musical mais fria. Cabe ao trilheiro fazer uma leitura dessas tonalidades em cada cena, em cada sequência de cada filme.
Em “Cidade de Deus”, por exemplo, a trilha sonora foi criada de acordo com a seguinte paleta musical: grande parte da história se passa no Rio de Janeiro nos anos 60 e 70. Nesse período, especialmente nos subúrbios, o samba e o funk (não o carioca, mas o funk mais melodioso, ainda com forte influência norte-americana) eram os gêneros musicais da moda. Partindo daí, a paleta musical do filme utiliza o samba para ilustrar os momentos mais vibrantes, de mais ação – muitas vezes enfatizando os graves do surdo. Em contrapartida, as sequências mais frias e tristes da história são embaladas pela melodia funk de artistas como Hyldon e Tim Maia. Trocando em miúdos: a paleta musical de “Cidade de Deus” é formada essencialmente pelos tons do samba dos anos 60 e do funk dos anos 70.
Não é tão exato definir que tipo de melodia, de ritmo ou de instrumento representa tons frios e tons quentes. Essa leitura depende de diversos fatores: época e lugar em que a história acontece, contexto e, claro, subjetividade do realizador da trilha sonora, que vai colorir o filme com as tintas de sua criatividade musical.
Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Antônio Pinto


















