Texto - Sala de Som e Trilha Sonora

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Trilha Sonora: TENDÊNCIAS DA TRILHA SONORA


Nos primórdios do cinema, os filmes não tinham trilha sonora – quer dizer, não tinham uma sonoridade que correspondesse exatamente às imagens exibidas. Os filmes não falavam nem cantavam. O silêncio era quebrado, em alguns casos, por músicos que executavam melodias ao vivo, no local de exibição.

Com a chegada do som ao cinema, as trilhas sonoras começaram a ocupar um lugar de destaque nas produções.
A música para filmes seguiu o desenvolvimento da linguagem cinematográfica: compreendeu o surgimento dos filmes de gênero (como o suspense, que destacou o genial compositor Bernard Hermann, e o western, que tem como ícone o maestro Ennio Morricone), adaptou-se a eles e, mais tarde, abriu espaço na tela grande para as melodias populares.

Pode-se dizer que, no cinema atual, existem duas tendências principais: o cinemão de Hollywood, mais pirotécnico, que usa um tom fantástico e cria realidades paralelas; e o cinema mais “autoral”, que produz filmes hiperrealistas, que tenta se aproximar da vida real e coloca em questão a fronteira entre ficção e documentário.

Essas duas vertentes da linguagem cinematográfica definem muito do que se produz como trilha sonora atualmente.

No caso dos filmes “blockbusters”, a trilha desempenha papel mais significativo, sendo explorada com um viés fantástico. Nesse tipo de filme, é quase uma regra a utilização de grandes e virtuosas orquestras, tocando temas marcantes. John Willians, compositor de músicas para clássicos como “Tubarão” e “Indiana Jones”, é o maior representante desse estilo de trilha sonora.

No caso das obras mais realistas, bem, é simples concluir que nem sempre cabe uma música na vida real. E, quando cabe, normalmente essa música é mais minimalista, pontual. Um bom exemplo de compositor que segue essa linha atualmente é Gustavo Santaolalla, responsável pela trilha dos filmes “21 gramas” e “Babel”. Em “21 gramas”, Santaolalla cria o universo musical de todo o filme usando apenas dois instrumentos: a guitarra e a sanfona.
Há casos ainda mais radicais de trilhas minimalistas: o filme “Paradise Now” usa o silêncio de maneira bastante dramática.

No final das contas, não há maneira melhor ou pior, certa ou errada de compor trilhas sonoras. Fundamental é assistir a filmes de todas as épocas e ficar de olhos e ouvidos bem abertos para compreender os conceitos, as sensações criadas por cada artista da música cinematográfica.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Antônio Pinto