Texto - Sala de Som e Trilha Sonora

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Som Direto: DUBLAGEM E SOM DIRETO


O cinema americano utiliza muito a dublagem. Ela consiste na gravação em estúdio – posterior à filmagem – da fala dos atores, que depois é sobreposta às imagens do filme. O cinema europeu prefere o som direto, que consiste na captação dos sons – e da fala dos atores, claro – durante o processo de filmagem, no próprio set.

Na verdade, não importa se um filme foi realizado com som direto ou se foi dublado. Não importa se parte do filme apresenta som direto e parte apresenta dublagem. Ninguém senta numa poltrona, na sala escura, para passar duas horas decifrando quais ruídos do filme foram captados em som direto e quais foram produzidos em estúdio, quais falas do herói foram captadas no set e quais foram gravadas posteriormente.

O que interessa é a qualidade de som que o filme oferece a quem assiste. A beleza no tom de voz dos atores, a força narrativa de seus ruídos, a emoção gerada pela trilha sonora. Zelar por essa qualidade é um trabalho para o sound designer, para o editor de som, para o compositor da trilha sonora e para o técnico de som.

No Brasil, o som do cinema dialoga mais com a tradição europeia. Assim, uma figura ganha grande destaque na construção da sonoridade de um filme: o técnico de som direto. Ele é o cara que vai planejar e realizar a captação do som durante o processo de filmagem. É quem vai escolher a melhor posição para o microfone, garantindo uma alta qualidade de som, sem atrapalhar o movimento dos atores ou o enquadramento do fotógrafo. É quem vai isolar o set de ruídos externos para conseguir um som mais limpo. É quem vai fazer o possível e o impossível para buscar um som direto perfeito para a proposta do filme. E é quem vai, em alguns casos, dizer para o diretor: “Olha, nessa cena o som direto não vai funcionar. É melhor a gente dublar.”.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Geraldo Ribeiro