Texto - Sala de Som e Trilha Sonora

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Som Direto: DOIS OUVIDOS, UM CÉREBRO NO MEIO E ALGO MAIS


Captar o som direto de um filme é um trabalho que exige conhecimento técnico e muita sensibilidade.

Conhecimento técnico para saber, por exemplo, qual microfone utilizar durante a filmagem de uma cena, pois cada microfone apresenta um padrão diferente de recepção de som, além de uma sonoridade particular. Conhecimento técnico, também, para saber escutar se determinado ruído captado acidentalmente pelo microfone pode ser retirado na edição de som, ou se é necessário refilmar a cena, buscando uma sonoridade mais limpa.

Por outro lado, o profissional do som precisa desenvolver sua sensibilidade. É importante compreender (e sentir) profundamente a proposta artística do filme, por meio da leitura do roteiro, de conversas com o diretor e do acompanhamento dos ensaios.

Para determinado filme pode ser interessante uma sonoridade mais “suja”, com maior grau de interferência de sons do ambiente, confundindo-se com a voz dos atores. Para outro, por mais que a ação dramática aconteça perto de uma rua movimentada, pode ser aconselhável que os ruídos do ambiente sejam suprimidos ao máximo e a voz dos atores seja realçada. De acordo com o sentido do filme e suas possibilidades estéticas, o técnico de som saberá como construir o ambiente sonoro mais adequado.

Portanto, além de dois ouvidos e de um cérebro no meio, um bom profissional de som precisa ter muita sensibilidade. Ir além da técnica é sempre o grande diferencial entre um simples profissional do áudio e um artista do som.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Geraldo Ribeiro