Texto - Sala de Roteiro

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PERIPÉCIAS E PERSONAGENS



Uma narrativa pode ser construída privilegiando os acontecimentos ou os personagens. Há filmes brilhantes, que nos oferecem tramas maravilhosas, com personagens incríveis. Mas, de maneira geral, um desses aspectos acaba preponderando sobre o outro.

O cinema americano tem a tradição de explorar mais os acontecimentos que os personagens. Os americanos fazem, como ninguém, comédias românticas repletas de acontecimentos criativos, mas com casais sempre muito parecidos. Filmes de ação com viradas excitantes, mas com heróis sempre iguais. Filmes de terror com tramas macabras, mas com vilões malvados que perseguem as mesmas mocinhas.

Já o cinema europeu costuma ter um registro mais intimista, com acontecimentos menos pirotécnicos e personagens mais profundos. É tradição do cinema francês, por exemplo, criar personagens reflexivos e densos. Em contrapartida, faz filmes que muita gente considera “lentos”, “paradões”.

Isso acontece porque as tramas costumam ser mais sutis, sem grandes peripécias. E não estamos acostumados a esse tipo de linguagem.

Não há como negar que o cinema americano influenciou muito o nosso olhar e nos habituou às suas características temáticas e estéticas.

O cinema brasileiro também pode ser considerado um cinema de peripécias, que tende a dar menos importância aos personagens. Mas há exceções, claro. Cinema, Aspirinas e Urubus é uma delas.

Não há uma maneira de narrar melhor que a outra. Cada uma tem seu encanto, e um eventual equilíbrio entre as duas é ótimo. O importante é abrir a cabeça para assistir de tudo um pouco – ou um muito – e conhecer as possibilidades, para escolher a maneira ideal de contar a história que se quer contar.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Luiz Bolognesi