Texto - Sala de Fotografia
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FOTOGRAFIA COMO ARTE E MERCADO
Atualmente, existe uma tendência no cinema que dita regras estéticas sob o ponto de vista do mercado. Cada vez mais o filme é visto como um produto a ser vendido, como uma linguagem utilizada apenas como entretenimento. Há exceções, claro, mas o cinema como atitude artística é cada vez mais raro.
É natural que, quando pensa em criar um produto vendável, que gere lucro, o realizador fique restrito a um punhado de fórmulas, regras e receitas preestabelecidas. O mercado costuma ser conservador. Pra que correr riscos se já existe um formato consagrado, se há um grande público disposto a pagar o preço pelo produto? Se você fosse um executivo da Coca-Cola, arriscaria uma mudança radical na fórmula do refrigerante que é o mais vendido do mundo? Responda a essas perguntas usando a lógica de um capitalista.
Essas regras de mercado influenciam a composição de um filme desde o roteiro, passando pela direção e, claro, pela fotografia. Pensar o filme só como produto – ou técnica – engessa a criatividade.
O artista existe porque o mundo não é exato. Porque o ser humano é complexo e, embora tenha características que o aproximem de seus semelhantes, é único em sua formação, em seu ponto de vista. O artista existe porque estamos em constante movimento. Porque esse movimento não para nunca de transformar a realidade.
Um artista da fotografia não pode se transformar em mero reprodutor de formatos estabelecidos. É necessário que ele não perca, nunca, sua capacidade de indignação, de contestação, de contemplação. O artista da fotografia precisa estar atento às imagens que o mundo lhe oferece.
Podemos observar a beleza do mar rapidamente, passando pela orla de carro, falando ao telefone celular. Por outro lado, podemos sentar na areia e distinguir o formato das ondas. Perceber o barquinho longe que se move com o vento. Traçar um paralelo entre o movimento do barco e as nuvens que se espalham revelando o sol. Relacionar o céu e o mar contemplando os reflexos do sol na superfície da água.
Para o fotógrafo, a arte de suas imagens não nasce de uma cartilha de regras. Nasce da capacidade de contemplar, interpretar e representar as imagens da vida. Um artista que não conhece bem o mundo tem dificuldade de usar uma caneta, um pincel ou uma câmera para representá-lo.
Mesmo que se faça um filme com pretensões de atingir um grande público, é fundamental, no mínimo, equilibrar a visão do mercado com a visão do artista.
Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Walter Carvalho


















