Texto - Sala de Fotografia
Saiba Mais
FORMAR-SE FOTÓGRAFO
Hoje em dia, com o avanço da tecnologia, qualquer pessoa pode ter acesso a uma câmera de filmar. Essa imensa difusão da ferramenta audiovisual pode trazer benefícios para a linguagem, afinal, se há mais gente filmando é maior a possibilidade de surgirem obras interessantes. Por outro lado, para que não haja uma banalização, um esvaziamento da linguagem, é fundamental, para quem quer se expressar com essa ferramenta, aprofundar os conhecimentos.
Uma criança aprende a andar arriscando, vivendo intensamente a experiência do aprendizado. O papel dos pais, nesse caso, é oferecer estímulos para que a criança possa desenvolver melhor sua função motora. A criança levanta do chão, dá o primeiro passo e cai. Levanta de novo, dá dois passos e cai. Ergue-se mais uma vez e agora consegue dar quatro passos antes de cair. E assim vai. É interessante perceber que não é possível ensinar um bebê a dar seus primeiros passos com aulas teóricas, usando giz e lousa. Não conhecemos muitos pais que imprimem uma apostila chamada “Como dar seus primeiros passos”. Quando aprende, a criança desenvolve sua própria maneira de andar. Claro que existem influências genéticas. Mas na verdade cada pessoa anda de maneira única: umas pisam pra dentro, outras rebolam, outras balançam mais os braços ou a cabeça.
Quando pegamos uma câmera o processo é semelhante. Na primeira vez vamos tremer demais e enquadrar tudo torto. Depois de assistir ao material, vamos pegar a câmera pela segunda vez. Aí, quem sabe, vamos corrigir o enquadramento. E na terceira vez vamos descobrir que existe o tripé, para que a imagem não fique tão instável.
Cada pessoa, ao apontar a lente de uma câmera para alguma coisa, de uma determinada posição, está revelando algum aspecto do seu olhar. Algum aspecto singular, que nenhuma outra pessoa tem. E não há certo nem errado quando se trata de uma maneira de olhar. É uma maneira de olhar e ponto. No processo de aprendizado isso não deve, de maneira alguma, ser desprezado.
Não se pode aprender a fotografar através de regras que estabeleçam o que é certo e o que é errado. Afinal, expressar-se por imagens é uma arte. E como toda arte ela é feita de erros e acertos. Ela é feita de tentativas frustradas e felizes. Ela é feita do mesmo elemento, talvez indefinível, que faz o ser humano sonhar, aprender, agir, perder, conquistar, arriscar, desgostar, amar. Antes de ser uma técnica, a arte é viva como a vida. O aprimoramento técnico e teórico vem depois.
Por isso, o primeiro passo para ser um fotógrafo é pegar uma câmera e começar a apontá-la por aí. Transformar essa experiência num exercício que vai possibilitar, através de uma série de erros e acertos, a construção de um olhar particular sobre os objetos, sobre o mundo e, principalmente, sobre você mesmo.
Arrisque-se a dar o primeiro passo.
Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Walter Carvalho


















