Texto - Sala de Produção

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O AUTOR PRÉ-HISTÓRICO


O ser humano sempre carregou consigo alguma noção do que é autoria. Podemos imaginar um homem pré-histórico entrando em sua caverna, olhando uma pintura rupestre numa das paredes e pensando: “Que maneiro esse cervo! Quem será que desenhou?”. Bem, talvez um homem do Paleolítico não organizasse exatamente assim seus pensamentos, mas certamente ele sabia que aquele desenho não era de sua autoria.

Imaginemos que nosso homem das cavernas chame vários outros homens das cavernas, mostre o cervo desenhado na parede e diga: “Olha só, galera, o cervo que eu desenhei!”. Todos começam a aplaudir. Mas eis que, do meio da multidão pré-histórica extasiada, levanta-se outro homem das cavernas e dispara: ”Epa! Peraí! Quem desenhou esse bicho aí fui eu, seu troglodita!”. Começa uma discussão. Um homem das cavernas chama o outro de impostor. Diante do impasse, cada um toma de seu tacape e eles partem pra resolver a questão, ali mesmo, na pancada.

Assim como o cervo na caverna de nosso homem pré-histórico foi desenhado por alguém, um filme é uma obra de arte realizada por alguém. No caso do cinema, a obra tem a contribuição criativa de mais de uma dezena de artistas. Do roteirista ao trilheiro, muitas autorias estão em jogo na construção de um filme. O cinema é direito autoral do começo ao fim.

Por isso, pra evitar problemas, é importantíssimo ter cuidado com questões autorais ao fazer e veicular um filme. Vai que na plateia está presente o autor de alguma obra utilizada sem autorização pelo realizador do filme. Pior: vai que esse autor tem um tacape e resolve tirar satisfação.


Texto: Henry Grazinoli
Consultoria de Conteúdo: Fernando Yazbek